A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) manterá o cronograma de concessão das linhas 11-coral, 12-safira e 13-jade apesar da greve dos ferroviários, afirmou nesta terça-feira (4) o presidente da companhia, Michael Cerqueira. Segundo ele, o sindicato descumpriu a decisão da Justiça do Trabalho ao não assegurar a operação mínima determinada pelo TRT-2 (Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região). A paralisação começou à 0h desta terça-feira. O sindicato afirma que a greve é uma reação ao processo de concessão das linhas à iniciativa privada e ao risco de demissões e perda de direitos. Mais cedo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) classificou o movimento como resultado de uma "instrumentalização política". "A pauta trabalhista está atendida. O sindicato insiste em discutir a reestatização e ser contra o programa de concessões. Isso não é uma pauta trabalhista. É uma pauta eminentemente política", afirmou Cerqueira à Folha. O presidente disse que as negociações entre governo, CPTM, sindicato e TRT-2 ocorrem há mais de um ano e afirmou que não houve recusa do estado em discutir as reivindicações da categoria. Segundo ele, questões relacionadas a benefícios, jornada e condições de trabalho foram tratadas durante esse período. "Todas as negociações sempre aconteceram de forma clara, objetiva e transparente. O que a gente não vai admitir é que a população seja prejudicada por uma decisão política. Quem paga o preço é o trabalhador, o estudante e a dona de casa que têm seu direito de ir e vir prejudicado", disse. A operação das três linhas chegou a ser repassada para a concessionária Trivia Trens, mas acabou sendo reassumida pela CPTM por 90 dias após um dia de funcionamento caótico do serviço, em 23 de julho. Além de manter o cronograma da concessão, Cerqueira afirmou que a companhia comunicou ao TRT-2 o descumprimento da decisão liminar que determinava a manutenção de 80% da prestação do serviço nos horários de pico e de 60% nos demais períodos. De acordo com ele, a operação da manhã atingiu apenas 67% da capacidade prevista pela Justiça. Na avaliação do dirigente, o principal problema foi a adesão dos maquinistas à paralisação. Enquanto agentes de estação, equipes de manutenção e profissionais da segurança compareceram em número suficiente, a companhia não conseguiu reunir condutores em quantidade necessária para ampliar a circulação dos trens. "A determinação do tribunal não era para manter 80% dos funcionários, mas 80% da prestação do serviço. Tivemos equipes de estação, manutenção e segurança. O problema foi a tração", afirmou. Cerqueira explicou que supervisores de tração precisaram assumir parte da condução dos trens, mas afirmou que não era possível deslocar operadores de outras linhas para substituir os maquinistas grevistas. "Não posso pegar um profissional de outra linha ou do metrô e colocá-lo para operar um trem. Ele precisa ter habilitação específica e treinamento naquela linha. É uma atividade de alta responsabilidade e não podemos colocar a operação em risco." Sobre o atendimento aos passageiros, o presidente reconheceu que o Paese (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência) não consegue reproduzir a capacidade do transporte ferroviário, mas afirmou que a operação foi dimensionada para atender todos os trechos sem circulação de trens. Segundo ele, a companhia continuará avaliando a necessidade de ajustes caso a paralisação prossiga. "O Paese é um serviço emergencial. Uma composição transporta cerca de 2.000 passageiros; um ônibus leva aproximadamente 80. É uma solução para minimizar impactos, não para substituir integralmente a operação ferroviária." Cerqueira rebateu um dos principais argumentos do Sindicato dos Ferroviários para justificar a greve: o temor de demissões em massa após a concessão das linhas. "Quais foram as demissões que aconteceram em razão das concessões? Quero o fato concreto", afirmou. Segundo ele, nas concessões das linhas 7-Rubi, 8-Diamante e 9-Esmeralda houve apenas a saída voluntária de funcionários e a rotatividade natural do quadro. Em nota, o governo diz que a greve foi decreta mesmo após o compromisso de a gestão "não fazer nenhuma demissão durante o período de realocação de funcionários". "A manutenção dos empregos foi garantida e comunicada ao sindicato na véspera da paralisação." O presidente explicou que a futura concessionária terá seu próprio quadro de empregados e não absorverá automaticamente os trabalhadores da CPTM. Pelo contrato, 475 colaboradores serão cedidos temporariamente para auxiliar a operação durante a transição. "Os demais têm um plano de realocação na própria CPTM, no Metrô e em outros projetos que estamos desenvolvendo", disse. "Nunca houve orientação para demissão em massa. O esforço sempre foi reaproveitar esses colaboradores." O presidente disse ainda que o cronograma da concessão permanece inalterado. Segundo ele, a Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) mantém o período de transição de 90 dias, durante o qual a CPTM continuará operando as linhas enquanto a concessionária Trivia Trens acompanha a operação. Sobre a greve, afirmou que a companhia aguarda uma nova manifestação do TRT-2 após informar o descumprimento da decisão judicial e que seguirá com o plano de contingência enquanto durar a paralisação.
Presidente da CPTM diz que linhas em greve voltar�o para a iniciativa privada no cronograma previsto
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