Premi� brit�nico diz estar aberto a pedido formal de desculpas pela escravid�o

Premi� brit�nico diz estar aberto a pedido formal de desculpas pela escravid�o

O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, afirmou na sexta-feira (30) estar aberto a que seu governo peça desculpas formalmente pela participação histórica do país no tráfico de pessoas escravizadas, uma mudança importante na política britânica. A medida pode abrir caminho para que o rei Charles 3º peça desculpas em uma reunião de ex-colônias britânicas na próxima semana. Em artigo de opinião publicado no jornal The Guardian, Burnham rejeitou os pedidos para que o Reino Unido pague reparações financeiras aos descendentes de pessoas escravizadas. Ele afirmou que os britânicos não devem ser "responsabilizados por erros históricos, por mais hediondos que tenham sido, ocorridos em outra época, sob outras leis e dos quais não participaram pessoalmente". O premiê disse, porém, que seus antecessores se recusaram a ter uma "conversa honesta" sobre o legado da participação britânica no tráfico de escravizados, "enterrando a cabeça na areia". Ele afirmou ter pedido ao ex-primeiro-ministro Gordon Brown que lidere um esforço global para reestruturar a dívida de algumas das ex-colônias britânicas mais pobres. "Ouvir os pedidos por desculpas formais em nome do Estado britânico será parte importante desse processo", escreveu, "e estou aberto a eles". Um pedido formal de desculpas, se ocorrer, dificilmente satisfará parte dos críticos do Reino Unido. Há anos eles exigem que o governo e a Coroa paguem compensações financeiras pelo tráfico de cerca de 3 milhões de africanos escravizados, transportados em navios britânicos pelo Atlântico nos séculos 18 e 19 para trabalhar em plantações coloniais. Tentativas de rebelião foram reprimidas com brutalidade. Na semana passada, Hilary Beckles, que preside a Comissão de Reparações da Caricom, organização que reúne países do Caribe, disse a jornalistas que estava apelando ao rei para que faça mais pelos antigos súditos da família real. "Ele pode ver o enriquecimento que a escravidão trouxe à sua família", afirmou Beckles. "Ele pode ver que a riqueza que está passando para seus filhos e netos veio, em quantias significativas, desse processo de transformação do povo africano em propriedade." Representantes do rei no Palácio de Buckingham afirmam há muito tempo que a decisão de pedir desculpas pelo papel do Reino Unido na escravidão transatlântica, ou de pagar reparações, cabe ao governo, não à monarquia. Até esta sexta, o governo britânico havia rejeitado as duas medidas. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Não está claro se ou quando Burnham pedirá desculpas formalmente pela escravidão, nem se o artigo convencerá o rei a fazê-lo. No passado, Charles afirmou que a "terrível atrocidade da escravidão" foi algo que "mancha para sempre nossa história". Mas ele nunca pediu desculpas formais pelas ações do império que seus antepassados governaram. Charles faz uma visita de sete dias ao Caribe e participará, na terça-feira (3), de uma reunião com líderes da Commonwealth em Antígua e Barbuda. Na semana passada, ele afirmou que "é justo reconhecer o grande sofrimento do passado, nestas ilhas e além delas, ainda que celebremos os êxitos do presente e construamos novas oportunidades para o futuro".Um porta-voz do Palácio de Buckingham não respondeu a perguntas sobre o artigo do primeiro-ministro na noite da sexta, quando o rei desembarcou em Antígua e Barbuda. "Precisamos encarar o passado", escreveu Burnham, que também participará da reunião da Commonwealth em Antígua e Barbuda na terça.

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