Por que sua aposentadoria exige mais planejamento hoje do que h� 40 anos

Por que sua aposentadoria exige mais planejamento hoje do que h� 40 anos

Há 40 anos, planejar a aposentadoria era diferente. Em média, vivíamos menos, as famílias eram maiores e uma parcela dos trabalhadores de grandes empresas ainda podia contar com planos que prometiam previamente o benefício que receberiam. Essas três coisas mudaram e ajudam a explicar por que planejar a aposentadoria se tornou mais importante. Em 1985, a expectativa de vida ao nascer no Brasil era de aproximadamente 65 anos. Hoje está próxima de 77 anos e, pelas projeções do IBGE, deve continuar aumentando nas próximas décadas. Avanços na medicina e no saneamento, além de melhores condições de saúde e hábitos de vida, ajudam a explicar essa transformação. É importante fazer uma ressalva. Expectativa de vida ao nascer não significa que alguém que chegasse aos 60 anos em 1985 viveria apenas até os 65. Quem alcança idades mais avançadas tem uma expectativa de sobrevida maior. Ainda assim, a evolução mostra uma transformação clara: estamos vivendo mais e a tendência é que continuemos vivendo mais. Para a aposentadoria, essa é uma excelente notícia, mas tem um custo. Quem para de trabalhar aos 60 ou 65 anos pode precisar financiar mais 25, 30 ou até 40 anos de despesas. Para quem hoje tem 40 ou 50 anos, planejar olhando apenas para quanto vivem os idosos atuais pode significar subestimar o período durante o qual seu patrimônio terá de sustentá-lo. Outra mudança aconteceu dentro de casa. Em 1980, as famílias brasileiras tinham, em média, 4,4 filhos. No Censo de 2022, essa taxa havia caído para 1,55 filho por família. Ter mais filhos nunca foi garantia de amparo financeiro na velhice, assim como ter menos filhos não significa ficar desassistido. Mas famílias maiores criavam, em muitos casos, uma rede mais ampla para dividir cuidados e ajudar os pais idosos. Hoje essa rede tende a ser menor. Também mudou a forma como parte dos trabalhadores construía sua renda futura. Durante décadas, grandes empresas, estatais e multinacionais ofereceram, por meio de fundos de pensão, planos de benefício definido. Simplificando, o trabalhador conhecia a fórmula do benefício que buscava receber na aposentadoria e o plano precisava se organizar para financiar essa promessa. Hoje, segundo o Ministério da Previdência, essa modalidade praticamente não é mais oferecida para novos participantes. Nos planos de contribuição definida, que ganharam espaço, a lógica se inverte. Sabe-se quanto será contribuído, mas o valor disponível no futuro dependerá do patrimônio acumulado e do resultado dos investimentos. Uma parcela maior da responsabilidade pelo resultado da aposentadoria passou, portanto, para o próprio trabalhador. Essas transformações ajudam a entender por que precisamos nos preocupar mais com a aposentadoria hoje. Podemos passar muito mais tempo depois do último salário, temos famílias menores para compartilhar os cuidados da velhice e é menos comum encontrar uma empresa prometendo previamente qual será nossa renda pelo restante da vida. Isso não significa que estaremos sozinhos. O INSS continua sendo uma peça fundamental da aposentadoria brasileira, e fundos de pensão e previdência privada podem ter papel importante. A grande questão é: dá para contar com ele? Contar apenas com aquilo que virá de fora pode não ser suficiente para manter o padrão de vida que desejamos e, até mesmo, representar um risco para sua subsistência. A aposentadoria deixou de ser apenas uma data para se tornar um período da vida que pode durar décadas. Financiar esse período depende de três fatores sobre os quais temos algum controle: quanto tempo temos para acumular, quanto conseguimos contribuir e quanto nosso dinheiro rende. Portanto, vamos discutir amanhã como tempo, contribuição e rendimento se combinam para determinar a aposentadoria que podemos construir. Mas a discussão sobre o tema não termina. Ao longo desta semana, vamos discutir algumas das principais decisões que envolvem sua aposentadoria: até que ponto podemos contar com o INSS, quando a previdência privada faz sentido, como nossa carteira deve mudar à medida que a aposentadoria se aproxima e o que fazer com o patrimônio depois de parar de trabalhar. No fim da semana, vamos enfrentar uma última questão: e se você viver até os cem anos? Michael Viriato é planejador patrimonial e sócio fundador da Casa do Investidor. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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