Por que o mal viraliza e o bem precisa se explicar?

Por que o mal viraliza e o bem precisa se explicar?

No domingo (30), eu publiquei no meu perfil um vídeo de um atendimento que fiz há alguns meses, a sobrancelha da Ju, uma cliente que teve câncer no nariz e precisou reconstruir parte do rosto. Na época, ela tinha pouco mais de 3.000 seguidores e era praticamente desconhecida. Fiz aquilo de graça, sem pensar em nada além de ajudar. Em poucas horas, o vídeo passou de 2 milhões de visualizações. Entre os comentários, apareceram os de sempre, "cadê quem julgou a Nat outro dia?", "ela fez isso porque a Ju já é famosa". A própria Ju respondeu por mim, lembrando que naquele momento ela era totalmente desconhecida e só depois do vídeo publicado que ganhou milhares de seguidores. O que mais me marcou nisso foi perceber como o bem quase sempre pede desculpas para existir. Ele precisa de prova, de testemunha, de alguém jurando que aconteceu antes da fama, antes do algoritmo, antes de qualquer interesse. Já o mal não precisa se justificar, basta acontecer, e as pessoas correm para repassar, comentar, se indignar juntas. Não sei dizer exatamente quando isso ficou tão desequilibrado. Talvez sempre tenha sido assim, e a internet só tenha dado um megafone para o desequilíbrio. Julgar alguém dá uma sensação estranha de alívio, quase de justiça feita, mesmo quando a gente nem conhece a história inteira. Perdoar, elogiar, acreditar no outro exige mais paciência, mais tempo parado, e o que é parado não viraliza. Eu também já me peguei nesse lugar, comentando por dentro, julgando por dentro, sentindo aquele gostinho amargo de achar que enxerguei algo que os outros não viram, e depois vem a vergonha de ter sentido prazer nisso. Ninguém está livre desse impulso, na minha opinião. A diferença é quem para ao perceber que sentiu e quem simplesmente age. Todo mundo já sentiu isso em algum momento, aquela vontade de comentar algo ruim sobre alguém, um misto de indignação e prazer que a gente raramente admite sentir. Ao mesmo tempo, cada vez mais gente parece cansada disso, cansada de abrir o celular e só encontrar motivo para brigar com um desconhecido. Todas Discussões, notícias e reflexões pensadas para mulheres Uma parte de mim quer acreditar que o vídeo da Ju viralizando é sinal de alguma coisa mudando, de gente precisando respirar entre tanta notícia ruim. Outra parte não quer ser ingênua a esse ponto. Talvez as duas coisas sejam verdadeiras ao mesmo tempo, o mal ainda vence em alcance, e o bem ainda resiste em quem presta atenção de verdade. A pergunta que sobra é essa, para mim e para vocês. Vocês sentem que o mundo está mais generoso ou mais cruel? E o que fazem, na prática, quando bate aquela vontade de julgar alguém que nem conhecem direito? LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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