Qual é a sua carta de Pokémon favorita? Talvez seja uma do Pikachu, do Charizard ou do Bulbasaur. Agora, imagine descobrir que uma delas pode valer centenas ou até milhares de reais. Hoje, alguns colecionadores pagam caro por determinadas cartas. Mas, quando elas surgiram, há 30 anos, no Japão, a ideia era que fossem usadas para jogar. No Pokémon TCG, jogo de cartas colecionáveis, cada um monta seu próprio baralho para enfrentar outros em batalhas. Durante a brincadeira, os Pokémon usam ataques para tirar pontos de vida dos adversários. A estratégia é escolher quais cartas usar e quando colocá-las em jogo. Também é possível participar de encontros e torneios, além de trocar cartas com outros jogadores. "Na nossa época, a gente não ligava se aquela carta era cara ou não. A gente queria tirar a carta para jogar com ela, brincar ou colecionar", conta Diogo Pires, 44, um dos responsáveis pela Liga Pokémon, criada há mais de 20 anos para reunir fãs da franquia. João, 6, herdou cartas de que já passaram pelas mãos de outros primos. Seu Pokémon favorito é o Pikachu, mas, entre as cartas da coleção, a preferida é a de um Greninja dourado. Em vez de apenas guardar as cartas, ele prefere usá-las para brincar com o pai, Luciano. As partidas viraram uma maneira de os dois passarem mais tempo juntos. Luciano também aproveita a brincadeira para ensinar matemática ao filho, usando os pontos de vida e os ataques dos Pokémon para fazer contas. Gosta de matemática? A Folhinha tem desafios e problemas para crianças resolverem Uma das maneiras de conseguir cartas novas é comprar os chamados boosters, pacotinhos que vêm com cartas-surpresa. A quantidade de cartas e o preço variam de acordo com o produto. Dentro deles, algumas cartas aparecem com mais frequência, enquanto outras são mais difíceis de encontrar, como versões brilhantes ou com ilustrações especiais. A surpresa é parte da graça para Mathias, 6. Ele começou a colecionar por volta dos 4 anos e já tem cerca de 400 cartas. As brilhantes estão entre suas favoritas, mas ele também mantém uma coleção só de Venonat, seu Pokémon preferido. "Eu gosto porque ele é fofo", conta. No site da Liga Pokémon, é possível encontrar anúncios de cartas e consultar quanto os vendedores estão cobrando por elas. Há versões de Pikachu custando poucos reais, enquanto o anúncio de uma edição especial passa de R$ 60 mil. Essa carta foi lançada no Japão, em 2018, para uma exposição do pintor norueguês Edvard Munch. Produzida em quantidade limitada, ela mostra Pikachu imitando a famosa pintura "O Grito", com as patas no rosto e a boca aberta, como se estivesse assustado. Uma carta pode ficar mais cara quando é difícil de encontrar e muita gente quer tê-la. Isso não significa, porém, que alguém esteja disposto a pagar esse valor por ela. O preço anunciado pode ser bem diferente daquele pelo qual a carta realmente é vendida. Duas cartas iguais também podem ter preços diferentes se uma estiver bem conservada e a outra tiver riscos ou dobras. Existem empresas que examinam as cartas e dão notas de acordo com seu estado de conservação. Elas observam, por exemplo, se os cantos estão danificados e se a imagem foi impressa bem no centro da carta. Esse processo é chamado de certificação. Uma nota alta pode tornar a carta mais interessante para colecionadores, mas não garante que ela será vendida por um preço elevado. Mathias cuida bem das cartas que considera mais importantes. Ele as coloca em capinhas plásticas de proteção, conhecidas como sleeves, e usa fichários próprios para organizar a coleção. Também existem cartas falsificadas. Por isso, quem está começando a colecionar deve prestar atenção na hora de comprar ou trocar cartas. Procurar lojas especializadas e pedir ajuda a alguém que conheça o jogo pode evitar problemas. Mas guardar uma carta por muitos anos não garante que ela ficará mais cara. Algumas cartas antigas são valorizadas porque se tornaram difíceis de encontrar, mas outras continuam valendo pouco. O mesmo acontece com as novas: se muita gente tiver a mesma carta ou deixar de procurá-la, seu preço pode cair. Por isso, comprar cartas pensando apenas em ganhar dinheiro pode ser arriscado. "Hoje está caro porque é moda, mas amanhã outra coisa vira moda e isso perde completamente o valor", afirma a educadora financeira Cássia D’Aquino. Abrir vários pacotinhos também não garante encontrar uma carta rara ou valiosa. Quem procura uma carta específica pode acabar gastando mais dinheiro tentando encontrá-la nos pacotes do que comprando ou trocando diretamente pela carta desejada. João sabe que algumas cartas podem valer muito dinheiro, mas não parece muito interessado nisso. Quando o pai pergunta o que acha desses preços, responde que é "chato". Para ele, o que importa é brincar com as cartas de que gosta. Nuki Games Av. Prof. Francisco Morato, 2932, Butantã, região oeste. @nukigamestore Flow Games R. Dona Genoveva D'Ascoli, 17, Vila Prudente, região leste. @flowg4mes Pimpou Cards R. Machado de Assis, 142, Vila Mariana, região sul. @pimpoucards Epic One R. da Glória, 117, Liberdade, região central. @epicsaopaulo Banzai Cards R. Gaspar Soares, 512, Jardim São Paulo, região norte. @banzaicards
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