Pol�cia de S�o Paulo investiga morte de falso padre condenado por estelionato

Pol�cia de S�o Paulo investiga morte de falso padre condenado por estelionato

A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte de Marcos Rodrigues Fontana, 65, que se passou por padre, recebeu doações em nome de orfanatos que nunca existiram e foi condenado por estelionato. Ele morreu na última quinta-feira (5) no apartamento onde morava, na alameda Barão de Limeira, centro de São Paulo. Fontana tratava diversos problemas de saúde, entre os quais hérnia abdominal e hipertensão arterial, e recebeu alta na última segunda-feira (2) após mais de 20 dias de internação, segundo depoimento do companheiro dele à polícia. Ainda segundo relato do companheiro, registrado em boletim de ocorrência, Fontana sofreu convulsões antes de morrer. Ele disse que pediu ajuda para chamar o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que constatou o óbito ainda no local. A causa da morte segue sob investigação da perícia. O irmão de Fontana também prestou depoimento. Segundo ele, há aproximadamente um mês, Fontana enviou mensagem para diversos familiares relatando que o companheiro estaria lhe dando medicamentos sem seu conhecimento ou consentimento, o que chegou a deixá-lo dopado em algumas ocasiões. De acordo com o irmão, Fontana atribuiu as crises renais ao uso irregular de remédios e de canetas emagrecedoras, que teriam ocasionado sua internação hospitalar. A família afirmou que, há uma semana, passou a receber mensagens de uma pessoa identificada como padre Francisco, que passava informações diárias sobre o estado de saúde da vítima, bem como solicitou valores em dinheiro que seriam destinados à compra de fraldas e remédios. Fontana relatou à família, logo após sua alta hospitalar, ter notado que objetos de valor tinham sumido de sua casa. Ele teria atribuído o furto ao tal padre Francisco. Os parentes disseram na delegacia que não tinham informações sobre essa pessoa. O companheiro de Fontana, segundo o irmão, não permitiu que os familiares tivessem acesso ao aparelho celular, cartões bancários e documentos pessoais dele. A reportagem não conseguiu contato com o companheiro de Fontana. Fontana foi condenado em 2009 por estelionato após realizar celebrações fúnebres ilegais. Em abril deste ano, como mostrou a Folha, ele não parou de fazer vítimas. Famílias católicas tradicionais de São Paulo desconfiaram dos pedidos de ajuda para ações sociais e um orfanato, que depois confirmaram que nunca existiram.

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