Nasci numa favela em Guarulhos (SP) e sempre soube, por experiência própria, como a extrema pobreza limita a vida de uma pessoa, de uma família. Foi do inconformismo com essa realidade injusta que, há 15 anos, nasceu a Gerando Falcões, hoje um ecossistema de superação da pobreza e dignidade, que conecta soluções nos territórios às políticas públicas. Esse trabalho tem mostrado que superar a pobreza exige urgência para quem precisa e consistência para quem executa. O Brasil está prestes a escolher quem formulará políticas que afetam milhões de famílias, e o combate à pobreza ganha a visibilidade sazonal de costume. O tema, no entanto, é importante demais para vir à tona apenas em períodos eleitorais e precisa ser um compromisso de Estado, antes, durante e, sobretudo, depois das eleições. É necessário enfrentá-lo de forma contínua se quisermos resultados em escala, com eficiência e efetividade. O país já deu passos relevantes. Contamos com o Suas (Sistema Único de Assistência Social) e o CadÚnico, por exemplo. O desafio é fazer essa estrutura funcionar de forma integrada, criando uma ponte com as demandas locais. Aprendi, primeiro na favela e depois no trabalho da Gerando Falcões, que não existe solução única para a pobreza. Ela deve ser entendida como um problema multidimensional, que envolve moradia, renda, educação, segurança alimentar, primeira infância e autonomia das mulheres. Superar a pobreza exige respostas à altura dessa complexidade. Destaco cinco compromissos como fundamentais para governos futuros: O primeiro é conhecer para agir: instituir diagnóstico territorial das vulnerabilidades, integrado ao CadÚnico. União, estados e municípios precisam estabelecer metas, mecanismos de responsabilização e planos locais de monitoramento para garantir que cada família seja identificada, acompanhada e efetivamente alcançada pelo Estado. Acompanhar o processo é o segundo compromisso. Mas acompanhar de verdade, ou seja, qualificar o Paif (Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família), com parâmetros nacionais para planos individualizados e indicadores capazes de medir a trajetória de cada família. O terceiro é proteger mais quem mais precisa. Os entes federativos devem compartilhar responsabilidades e financiamento para assegurar acesso efetivo ao cuidado na primeira infância, à segurança alimentar e à autonomia econômica das mulheres, com ações articuladas e metas verificáveis. O quarto é promover inclusão produtiva. Trabalho digno, empreendedorismo e crédito orientado precisam se transformar em caminhos reais de geração de renda. Isso exige ligar capacidades às oportunidades locais e articular governo, setor privado, sociedade civil e lideranças comunitárias em instâncias permanentes de decisão. O quinto compromisso é assegurar transparência. A superação da pobreza deve constituir um eixo estruturante dos planos de governo e ganhar um marco regulatório, com metas, responsáveis, cronograma e previsão orçamentária. Sem a devida prestação de contas, não há como medir resultados e corrigir rotas. Foi para reunir esses compromissos em torno de um pacto que lançamos uma carta aberta aos candidatos de 2026. O documento apresenta cinco compromissos em uma agenda suprapartidária e aberta a candidaturas de diferentes espectros políticos. O documento, de adesão voluntária, traz um recado claro: quem pretende governar deve dizer como enfrentar a pobreza, com método, metas e continuidade. O contrário da pobreza não é riqueza. É dignidade. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Pobreza se enfrenta com m�todo, metas e continuidade
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