Ao menos parte dos policiais militares de São Paulo que atuam no Bravo (Batalhão de Resposta Avançada Operacional), unidade em que alguns agentes andam em duplas em motos e carregam fuzil, recebem uma gratificação extra pela atuação. Alguns dos agentes escalados para a operação participam da Dejem (Diária Especial por Jornada Extraordinária de Trabalho Policial Militar), programa em que os policiais recebem bonificação em dinheiro por trabalharem na folga. Algo semelhante ao que ocorre com aqueles que atuam na prevenção ao comércio ambulante irregular na capital paulista, na chamada Operação Delegada. O valor está associado à patente: oficiais recebem mais do que praças (soldados, cabos e sargentos). O montante final depende da carga horária cumprida no mês. Há um teto para evitar sobrecarga, já que o policial trabalha quando deveria estar descansando. A informação foi dada à Folha pelo coronel Henguel Ricardo Pereira, secretário-executivo da Secretaria da Segurança Pública (SSP). A unidade foi lançada para combater roubos e furtos de celulares, modalidade conhecida como quebra-vidro. Ele não deu detalhes de quantos dos policiais que atuam no novo batalhão recebem o valor extra. De acordo com Henguel, número 2 da pasta na gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o Bravo é um batalhão matricial, ou seja, foi criado sem necessidade de decreto. A explicação já havia sido dada à reportagem pelo coronel Alexandre Vilariço, comandante da Coordenadoria Operacional da PM, a quem cabe decidir onde empregar o Bravo. Henguel disse que a atuação dos policiais da Dejem, também conhecida como Atividade Delegada, reforça o policiamento no bairro em que é colocada em prática. "Fôlego operacional sem onerar a polícia de efetivo", afirmou. O coronel deu exemplos de como o Bravo pode ser útil, como em roubos e furtos na avenida 23 de Maio. Como ela muitas vezes está congestionada, as motos têm mais mobilidade para agir contra os criminosos. Para Henguel, que antes de chegar à SSP foi secretário-chefe da Casa Militar e coordenador da Defesa Civil estadual, o Bravo é um oxigênio para os comandantes de área, que ganham um reforço não previsto no patrulhamento, além de ser um "remédio para várias causas". Ele listou três benefícios para as áreas em que o Bravo atuar: presença policial, mobilidade e ferramenta de controle. Apesar do foco da unidade ser o quebra-vidro, ela também deve combater outros crimes, como tráfico de drogas. Como revelado pela Folha o Bravo não tem efetivo próprio, comandante fixo nem sede formal, ao contrário dos demais batalhões da Polícia Militar. A tropa reúne policiais de diferentes batalhões, num total de 250 agentes e 150 motos, além de viaturas de apoio. Os policiais estão equipados com câmeras corporais. Há agentes de unidades como o 2º Batalhão de Choque, com experiência em motos e referência em escoltas e grandes eventos; de batalhões especializados, como o 7º Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia); do Comando de Policiamento de Trânsito; e de batalhões de área, cuja finalidade original é realizar o patrulhamento nos bairros. Na terça-feira (6) e na quarta-feira (7), o Bravo percorreu ruas da zona norte de São Paulo.
PMs ganham sal�rio extra para participar de novo batalh�o de motos com fuzil em S�o Paulo
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