Plantio de arroz no Sul ser� o menor desde 1982, e pre�os sobem

Plantio de arroz no Sul ser� o menor desde 1982, e pre�os sobem

Os produtos agropecuários mantêm alta no campo neste mês. Internamente, a oferta de vários itens, como a do arroz, continua reduzida. Externamente, a demanda está aquecida, os entraves geopolíticos continuam, as expectativas de riscos climáticos aumentam e os fundos de investimento, olhando para um cenário de possível menor oferta, atuam firmemente no mercado. Além desses fatores, os estoques finais da safra 2025/26 podem interferir nesse quadro de preços. O Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulga informe sobre esses volumes na quarta-feira (30). Internamente, o Brasil tem de ficar atento a dois produtos: arroz e trigo. Além de preços em alta, esses cereais estão em áreas menores de cultivo nesta safra, o que deve elevar importação e preços. Segundo as primeiras estimativas da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) para 2026/27, a área a ser semeada com arroz cai para 1,53 milhão de hectares. A região Sul, a principal produtora brasileira, dedicará menos de 1 milhão de hectares ao cereal, o menor espaço desde 1982. Com isso, a produção nacional, que chegou a 12,8 milhões de toneladas em 2025, recua para 10,8 milhões nesta safra que está sendo iniciada. A produção mundial de arroz cai para 534 milhões em 2026/27, e o consumo sobe para 540 milhões. Com isso, os estoques mundiais descem para 197 milhões de toneladas. Esse novo cenário já faz o preço médio mundial do cereal subir. A alta foi de 0,5% no mais recente relatório de preços da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura). No caso do trigo, o cenário pode ficar um pouco mais complicado. A área de plantio é de 1,59 milhão de hectares, a menor em nove safras. A região Sul, a principal produtora nacional, tem área de apenas 1,58 milhão, a menor desde 2000. A produção nacional deste ano recua para 5,7 milhões de toneladas, segundo a Conab. Um volume tão restrito obriga o país a importar pelo menos 7,1 milhões de toneladas. A compra externa ocorre em um período de alta dos preços, uma vez que a safra mundial recua para 822 milhões, e o consumo sobe para 827 milhões, segundo o Usda. Entre os principais produtores mundiais, Índia e Ucrânia elevam a produção, mas União Europeia, Estados Unidos, Rússia, Canadá e Argentina têm estimativa de safra menor.A União Europeia foi uma das mais castigadas pela forte onda de calor e pela seca, e a produção do bloco desacelera para 134 milhões de toneladas, após ter atingido 145 milhões no período anterior. A disponibilidade para exportação será de 31 milhões. A Rússia, principal exportadora mundial, tem cereal, mas encontra gargalos logísticos devido à guerra com a Ucrânia. A menor oferta russa eleva preços em outras regiões exportadoras. A Argentina, principal fornecedora do Brasil e que teve 19 milhões de toneladas de trigo para exportar em 2025/26, terá 15 milhões nesta safra. As carnes, mesmo com barreiras na China e na União Europeia, mantêm alta neste mês no campo, o mesmo ocorrendo com o leite. A produção mundial de soja sobe para 442 milhões de toneladas, mas o esmagamento também será maior. A safra americana está praticamente garantida, mas a produção brasileira e argentina ainda deve passar pelo estresse do El Niño. A oferta mundial de milho, projetada em 1,29 bilhão de toneladas, cai, derrubando os estoques mundiais para 272 milhões. Colunas Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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