PF descreve gastos de Claudio Castro com caviar, adega e im�veis em inqu�rito sobre Refit

PF descreve gastos de Claudio Castro com caviar, adega e im�veis em inqu�rito sobre Refit

O relatório da Polícia Federal que levou à segunda busca e apreensão contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) por sua relação com a refinaria Refit descreve gastos com caviar, adega e reforma de imóveis pagos ou em nome de terceiros. A investigação também mostra que o contato entre Castro e o empresário Ricardo Magro, dono da Refit, e sua equipe remonta a outubro de 2020, dois meses depois de o ex-governador assumir o cargo, com o afastamento de Wilson Witzel. Em nota, a defesa de Castro negou "participação em esquema de lavagem de dinheiro, recebimento de vantagem indevida ou favorecimento a terceiros". Ela afirma que todos os gastos descritos foram regulares. O sigilo sobre a investigação foi revogado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal). O inquérito apura suspeitas de gestão fraudulenta e temerária, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, evasão de divisas, manipulação de mercado e também crimes contra a ordem econômica envolvendo a comercialização de combustíveis. Em mensagem de maio de 2025, Castro chamou Magro de amigo após a presença do ex-governador em um evento patrocinado pela Refit. "Eu que agradeço. Aqui você tem um amigo. Saiba disso", escreveu o ex-governador a Magro. A Folha tentou contato com a Refit por diferentes telefones e contas de email nesta semana, sem sucesso. As mensagens voltaram. A defesa de Ricardo Magro não foi localizada. A PF aponta que o ex-governador se envolvia pessoalmente com demandas da Refit em órgãos estaduais. A conclusão parte de diálogos mantidos por Castro com o advogado Marcos Joaquim Alves, advogado associado aos interesses da refinaria, segundo o relatório. Em abril de 2025, os dois tratam da regularização fiscal da refinaria no estado. Após receber as demandas do advogado, Castro afirma. "Eu toco por aqui". Os dois também conversaram sobre assuntos da empresa em novembro de 2020, três meses após Castro assumir o governo após o afastamento de Wilson Witzel determinado, inicialmente, pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). Os dois também marcam um encontro para falar com um integrante da ANP (Agência Nacional de Petróleo) em outubro de 2020. "O conjunto probatório indica, portanto, que a relação entre Cláudio Castro e o Grupo Refit não se limitava ao contato protocolar inerente ao relacionamento entre autoridades públicas e agentes econômicos. Ao contrário, os elementos extraídos do aparelho celular apontam para a existência de canal direto e privilegiado entre o então governador, Ricardo Magro e representantes da empresa, permitindo acompanhamento pessoal de pleitos administrativos, facilitação de agendas institucionais, monitoramento da tramitação de demandas estratégicas e integração a rede de relacionamentos composta por autoridades públicas e agentes privados vinculados aos interesses do grupo", afirma o relatório. A PF também descreve um gasto de R$ 10.500 com um pedido de caviar feito em São Paulo. A conta foi paga pelo advogado Antônio Carlos da Conceição Santos, conhecido como Pipo. Ele também foi alvo de busca e apreensão. Pipo foi procurado por mensagem nesta quinta, mas não respondeu até a publicação da reportagem. O inquérito também descreve obras determinadas por Castro em um imóvel em Petrópolis, alugado de um empresário cuja firma possui contratos com o estado. A polícia afirma no documento que o ex-governador orienta detalhes da reforma como se fosse de fato dono do local. Entre as despesas apontadas, está a construção de uma adega de R$ 249 mil. "Eu quero tudo mais deitado, uma boa parte que eu possa saber o que eu tenho", escreveu Castro sobre a obra, segundo a PF. A mesma suspeita é levantada sobre a cobertura para a qual Castro estava se mudando quando sofreu a segunda busca, na Barra da Tijuca. O contrato aponta o valor de R$ 10 mil mensais pela locação, mas a PF afirma que imóveis semelhantes custavam entre R$ 20 mil e R$ 29 mil. "Destarte, o conjunto probatório indica, portanto, a possível utilização de terceiros, empresas patrimoniais e estruturas negociais aparentemente legítimas para ocultar a verdadeira titularidade de ativos e viabilizar o custeio indireto de despesas privadas do ex-governador, em situação compatível com mecanismos de lavagem de capitais", diz a PF sobre os imóveis. CASTRO NÃO PRATICOU QUALQUER ATO ILÍCITO, DIZ DEFESA A defesa de Cláudio Castro afirmou, em nota, que o ex-governador não praticou atos ilícitos. Ela negou envolvimento com os crimes de lavagem de dinheiro, recebimento de vantagem indevida ou favorecimento a terceiros, investigados pela PF. "O imóvel onde reside tem contrato regular de locação, com pagamentos comprováveis. O imóvel utilizado em Petrópolis também era alugado e o contrato já foi encerrado", afirma a nota. Em relação à aquisição do caviar pago por Pipo, a defesa de Castro afirma que "a encomenda havia sido feita por um amigo e ele apenas retirou os produtos em São Paulo para entregá-los, tendo consumido um deles com autorização do comprador". "Não há qualquer ligação entre os episódios envolvendo a compra e os imóveis com a Refit. São situações distintas, sem relação com a empresa ou com eventual favorecimento", afirma a nota. A equipe do ex-governador também disse que os contatos com os representantes da Refir foram institucionais e não resultaram em benefícios "Durante sua gestão, o Estado adotou medidas para cobrar valores devidos pela empresa", afirma a nota.

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