Brasília A Polícia Federal adiou o depoimento do dono do BTG Pactual, André Esteves, à Polícia Federal como testemunha no inquérito sobre a fiscalização do Banco Central sobre o Banco Master, de Daniel Vorcaro. O depoimento estava marcado para esta segunda-feira (5), mas foi adiado a pedido da defesa sob o argumento de que ele tinha compromissos profissionais no mesmo dia. Ainda não há uma nova data agendada para que ele seja ouvido pela PF. André Esteves, dono do BTG - Rafaela Araújo - 24.nov.2025/Folhapress Também foram intimados para testemunhar no caso o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e seu antecessor no cargo, Roberto Campos Neto (2019-2024). A previsão é de que Galípolo fale nesta terça (6) e Campos Neto na quarta (7), mas eles também podem pedir adiamento dos depoimentos. Procurada, a assessoria do BC e a defesa de Campos Neto ainda não informaram se houve pedido para adiar as audiências. O atual diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, também foi convocado para falar à PF nesta investigação. Ele deve depor na quinta. No último mês, Galípolo disse que estava "sempre à disposição para todas as instituições" para "poder relatar como foi esse processo". Os três serão ouvidos no inquérito sobre investigações contra dois ex-executivos do BC: Belline Santana, ex-chefe de Supervisão Bancária, e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização. Segundo o inquérito, eles teriam atuado em favor dos interesses de Vorcaro dentro do BC, passando informações sobre a fiscalização do banco. A defesa dos dois nega que eles tenham adotado medidas de favorecimento ao ex-banqueiro. Em depoimento à PF, Paulo Sérgio Neves disse que o banco de André Esteves teria descoberto uma fraude de R$ 32 bilhões no Master depois de encerrar uma due diligence (investigação de riscos e oportunidades de um investimento) em novembro de 2024. Campos Neto teria participado de reunião sobre o tema. "Relata que a comunicação do BTG foi verbal, feita por telefone no dia 29 de novembro, e que o diretor Ailton lhe disse para ir a São Paulo na segunda-feira, pois na terça-feira o BTG faria uma apresentação; que a apresentação foi realizada no dia 3 de dezembro de 2024, estando presentes o presidente Roberto Campos Neto (...); que o BTG não entregou documentação na reunião", diz trecho da oitiva. Em mensagens, Vorcaro também afirmou que o Banco Central pediu que ele se reunisse com Esteves em abril do ano passado para ouvir uma proposta. O BTG já negou ter tido interesse na compra do Master e disse que apenas fez "compras pontuais de ativos não problemáticos em momentos de falta de liquidez". O atual diretor de Fiscalização também já prestou depoimento às autoridades. Ele afirmou à Polícia Federal que o BTG pediu ao BC, em outubro de 2025, uma "carta de conforto" para comprar ativos do Banco Master, nos mesmos moldes solicitados pela J&F na aquisição da Korv Seguradora, a fim de evitar que a operação fosse questionada como fraude à liquidação. O BC decretaria a liquidação do Master no mês seguinte, em 18 de novembro de 2025. Segundo Ailton de Aquino, os dois ex-servidores do BC suspeitos de favorecer Vorcaro participaram de várias reuniões, nas quais discutiram o caso do Master, antes de se tornarem alvos de suspeição. Também disse que havia um ambiente hostil no órgão durante o processo de decisão sobre o futuro do banco de Vorcaro, com intensos vazamentos de informações. De acordo com o relato, ele e Galípolo não confiavam em ninguém naquele momento e já haviam tomado a decisão pela liquidação.
PF adia depoimento de Andr� Esteves como testemunha em inqu�rito sobre Master
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