Londres |Financial Times As maiores empresas de petróleo do mundo estão deixando de lado o caos, a destruição e a perda de produção provocados pela guerra no Oriente Médio enquanto buscam maior acesso às vastas reservas de petróleo e gás da região, um objetivo perseguido pelo setor há décadas. Executivos da Shell, BP, TotalEnergies, ConocoPhillips e Chevron manifestaram nesta semana o interesse em investir na região que mais produz petróleo no mundo, argumentando que suas reservas abundantes e de baixo custo compensam os riscos maiores. Plataforma da refinaria da TotalEnergies em Gonfreville-l’Orcher, no noroeste da França - Lou Benoist - 25.jun.26/AFP A demonstração de confiança deve continuar neste fim de semana, quando muitos dos mesmos executivos viajarão a Riad, a convite do ministro da Energia da Arábia Saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, para o Congresso Mundial do Petróleo, apesar das preocupações com a segurança diante da campanha militar de rebeldes houthis apoiados pelo Irã contra o reino. Além de reafirmarem seus vínculos com os países do Golfo, alguns executivos estão cultivando relações na esperança de aproveitar novas oportunidades criadas pela guerra, enquanto governos árabes reavaliam suas relações internacionais e se preparam para o enorme trabalho de reconstruir instalações e investir em novas infraestruturas após o fim do conflito. Patrick Pouyanné, presidente-executivo da francesa TotalEnergies, a grande petroleira com a maior presença no Golfo, disse que sonhava "mais do que nunca" em investir em todos os países da região, mesmo que sua empresa precise construir mais oleodutos para exportar petróleo bruto. "Para nós, investidores, acredito firmemente que o Oriente Médio ainda tem o petróleo mais barato", afirmou. "Precisamos desse petróleo, mas precisamos desbloquear o estreito de Hormuz desenvolvendo rotas alternativas, e faremos isso. Faremos nos Emirados Árabes Unidos, no Iraque e na Síria. Isso faz parte do nosso negócio." Outros executivos, durante o Energy Intelligence Forum, em Londres, adotaram tom semelhante. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões "Sou parcialmente tendencioso por ser do Oriente Médio", disse Wael Sawan, presidente-executivo da Shell, de origem libanesa e canadense. "Mas acredito fundamentalmente" que ativos de alta qualidade, "administrados por governos extremamente capazes no Oriente Médio, significam que esses recursos chegarão ao mercado". Meg O’Neill, presidente-executiva da BP, afirmou que a empresa, criada como Anglo-Persian Oil Company, tem uma "história enraizada no Oriente Médio". "Temos muito orgulho de nossas longas relações com vários países. Nossos pensamentos estão com as pessoas afetadas pelo conflito. Todos esperamos uma solução rápida. Portanto, não temos intenção de recuar", acrescentou. O maior prêmio seria obter maior acesso à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos, que possuem algumas das maiores reservas de hidrocarbonetos do mundo e estão entre as mais baratas de explorar. Os dois países tradicionalmente mantêm controle rígido sobre seus campos mais valiosos por meio de suas estatais de petróleo, limitando a participação estrangeira ou oferecendo às empresas internacionais retornos relativamente modestos. A conferência foi o primeiro discurso público de Amin Nasser, presidente-executivo da Saudi Aramco, desde que Estados Unidos e Israel entraram em guerra com o Irã, em fevereiro, e uma oportunidade para ele se reunir com os principais executivos do setor. Musabbeh Al Kaabi, responsável pela área de exploração e produção da estatal de Abu Dhabi Adnoc, também estava em Londres para reuniões. "O fato é que o Oriente Médio tem 50% das reservas de petróleo do mundo", disse Ashraf Al Ghazzawi, chefe de estratégia da Aramco. "Temos a maior capacidade de produção excedente, cinco décadas de reservas e somos o produtor de menor custo." "Precisamos olhar além da crise atual. Energia é um negócio de longo prazo. Não é possível se afastar desses fatos", afirmou. Um executivo presente no evento, porém, observou que, embora os produtores do Golfo falem longamente sobre seus esforços para aumentar a resiliência, tanto a Aramco quanto a Adnoc passaram os últimos anos comprando ativos no exterior. "Quando você olha para o que eles estão fazendo, eles estão se diversificando cada vez mais para fora da própria região", disse o executivo. Ryan Lance, presidente do conselho e ex-presidente-executivo da ConocoPhillips, que recentemente firmou uma parceria com a BP nos campos de petróleo de Kirkuk, no Iraque, destacou que os governos da região começaram a reconhecer a necessidade de oferecer condições mais atraentes. "Precisamos de um contrato que acomode o risco, o risco geopolítico que vimos na região", afirmou. "Mas tudo isso está começando a se encaixar, tanto do lado das empresas internacionais de petróleo quanto dos governos anfitriões. Iraque e Síria fizeram isso, e outros estão começando a pensar da mesma forma." Ao se referir às tentativas anteriores da empresa americana de investir no Iraque, Lance disse: "Procuramos investir no Iraque nos últimos 25 anos, e não funcionou". Mike Wirth, presidente-executivo da Chevron, concordou que "a economia está mais favorável hoje". Segundo ele, a petroleira americana está a "meses" de assinar um acordo para o campo de West Qurna, no Iraque, que era administrado anteriormente pela russa Lukoil. "O Iraque é atraente", afirmou. "Os riscos continuam muito reais, mas os retornos acompanham o risco."
Petroleiras ignoram guerra e miram reservas do Oriente M�dio
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