Petrobras diz que dividendo extra � 'muito pouco prov�vel', apesar de petr�leo caro

Petrobras diz que dividendo extra � 'muito pouco prov�vel', apesar de petr�leo caro

O diretor financeiro da Petrobras, Fernando Melgarejo, descartou nesta sexta-feira (7) a possibilidade de distribuição de dividendos extraordinários pela estatal, apesar do elevado lucro registrado no segundo trimestre de 2026. Beneficiada pela escalada do preço do petróleo após o início da guerra no Irã e pelos recordes de produção de petróleo, a estatal registrou lucro de R$ 52,4 bilhões, no período, quase o dobro do registrado no segundo trimestre de 2025. Em teleconferência com analistas, a direção da empresa foi questionada sobre a possibilidade de distribuição aos acionistas de uma parcela maior desse resultado ao longo do ano, já que o petróleo está mais caro do que os US$ 70 por barril previstos no plano estratégico da companhia. "É muito pouco provável", respondeu Melgarejo. Ele afirmou que a empresa pretende usar a geração de caixa adicional para priorizar investimentos, principalmente a antecipação de plataformas de produção, e redução de dívida bruta para a casa de US$ 65 bilhões —hoje está em US$ 70,8 bilhões. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Pelo lucro do segundo trimestre, a Petrobras anunciou a distribuição de R$ 17,4 bilhões. É o valor mínimo previsto por sua política de remuneração aos acionistas, equivalente a 45% do fluxo de caixa livre no período. Antes, no primeiro trimestre, havia distribuído R$ 9,3 bilhões. O total para o ano, portanto, é de R$ 26,7 bilhões. Desse montante, o governo tem direito a R$ 9,6 bilhões (incluindo fatias de bancos públicos e fundos de pensão). Uma distribuição adicional beneficiaria não só acionistas privados, mas o governo, que teve no primeiro semestre o segundo maior déficit de sua história. O resultado foi bem-visto pelo mercado, o que ampliou a expectativa por bons dividendos. O BB Investimentos chegou a elevar o preço alvo de ações da empresa, acreditando que a boa geração de caixa pode melhorar a remuneração ao acionista. O analista André Cobucci entende que "o atual plano estratégico mantém as principais premissas que trazem previsibilidade para os investidores minoritários, como o foco no pré-sal, o endividamento abaixo de US$ 65 bilhões e a manutenção da política de dividendos." "Em um cenário geopolítico desafiador, a Petrobras garante abastecimento do mercado interno, contribui decisivamente para mitigação da volatilidade internacional dos preços para os consumidores brasileiros e registra lucros recordes", disse Mahatma Ramos, do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo e Gás). Melgarejo afirmou, porém, que a Petrobras não vê o preço do petróleo no patamar do segundo trimestre por muito tempo. Com o conflito, o barril do Brent chegou a ser negociado por US$ 120, mas depois cedeu —nesta sexta, estava pouco acima de US$ 80. No segundo trimestre, o preço médio do petróleo Brent foi de US$ 104 por barril, o que ajudou a impulsionar o lucro da estatal. No encontro com analistas nesta sexta, a presidente da companhia, Magda Chambriard, porém, disse que os recordes operacionais tiveram mais impacto. Ela alegou que a empresa já passou por 13 trimestres de petróleo mais caro e que o lucro sem fatores exclusivos agora é recorde. Magda destacou que a empresa tem atuado para superar suas metas de produção de petróleo, com aumento de eficiência e elevação da capacidade produtiva das plataformas já instaladas. No trimestre, a empresa bateu novo recorde, produzindo 3,34 milhões de barris de petróleo e gás por dia. "Informalmente, aqui na companhia, a gente começa a se cumprimentar já dizendo: 'Meta é para os fracos". A Petrobras supera metas e nós nos orgulhamos disso", afirmou.

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