O preço do petróleo disparou mais de 4% e ultrapassou US$ 105 pela primeira vez desde maio após os houthis, grupo do Iêmen aliado do Irã, anunciarem que tomaram o controle da cidade de Mocha, importante zona portuária do país e que serve de alternativa para o escoamento do petróleo vindo da Arábia Saudita. O barril Brent, referência mundial, alcançou US$ 105,84 (R$ 542,38) por volta das 9h30 (horário de Brasília) em uma subida de 4,57% em relação ao fechamento de quarta-feira (9). A disparada ocorreu depois que os houthis divulgaram que estenderam também o domínio no estreito de Bab el-Mandeb, que liga ao Mar Vermelho ao Oceano Índico e era usado como alternativa para navios da Arábia Saudita transportarem petróleo.Nos últimos dias, o grupo aumentou a ofensiva sobre cidades sauditas e diz que agora bloqueou a opção usada no lugar do estreito de Hormuz, que está com o tráfego interrompido desde o início da guerra em 28 de fevereiro e por onde passava 20% da produção mundial de petróleo e gás. A situação levou o preço do petróleo a disparar a partir das 8h30, quando foram divulgadas as primeiras informações dos houthis. Até então, o contrato de novembro era negociado na casa dos US$ 102. Com a forte alta, o Brent chegou ao seu maior valor desde 20 de maio, quando estava em US$ 106,92. O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, superou a casa dos três dígitos e estava em US$ 100,16 (R$ 513,27), alta de 4,28%, por volta das 10h.A ação dos houthis nesta quinta foi uma resposta às declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, nessa quarta-feira (9) que disse que esperava que a guerra terminasse após as eleições de meio de mandato, marcadas para novembro. Os houthis entraram na atual guerra ao lado do Irã com um ataque a Israel em 28 de março, mas permaneceram em grande parte inativos antes de declarar um bloqueio naval contra a Arábia Saudita em julho e intensificar, em setembro, os ataques ao sul do reino. Nesta quinta-feira, as autoridades sauditas de Defesa Civil emitiram alertas de emergência na cidade de Khamis Mushait, no sudoeste do país, pela quarta vez em 24 horas, em meio aos ataques dos houthis.O Paquistão transmitiu ao Irã uma advertência saudita para que contenha seus aliados houthis no Iêmen, em uma tentativa de impedir que a crise saia de controle, disseram pessoas ligadas aos governos sauditas, paquistanesas e iranianas. Uma autoridade iraniana de alto escalão confirmou que o Paquistão transmitiu a mensagem a Teerã na terça-feira e que a resposta foi que "o Irã não controla os houthis". A IMPORTÂNCIA DO ESTREITO DE BAB EL-MANDEB O estreito de Bab el-Mandeb, ou Portão das Lágrimas, assim chamado por suas perigosas condições de navegação, fica entre o Iêmen, na Península Arábica, e Djibuti e Eritreia, na costa africana, o que o torna um alvo estratégico de grande valor para os houthis, que controlam as áreas mais populosas do Iêmen e grande parte do norte do país. É uma das rotas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo bruto e combustíveis do Golfo com destino ao Mediterrâneo, pelo Canal de Suez ou pelo oleoduto Suez-Mediterrâneo, na costa egípcia do Mar Vermelho, além de mercadorias destinadas à Ásia, incluindo petróleo russo. As forças do governo iemenita e seus aliados estão se deslocando para o sul ao longo da costa do Mar Vermelho, em direção a Dhubab, localizada diretamente às margens do estreito, em frente à ilha de Perim, disseram fontes militares do governo. Segundo elas, controlar Dhubab e a ilha é fundamental para assumir o domínio do estreito. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. ATAQUES A REFINARIA NA RÚSSIA Outro fator que ajudou na alta do petróleo nesta quinta foi a paralisação das atividades da refinaria de petróleo de Ryazan, pertencente à russa Rosneft, após um ataque de drones sofrido no último domingo (6), disseram duas pessoas do setor à agência de notícias Reuters nesta quinta-feira. A principal unidade da refinaria, a CDU-6, e também a unidade CDU-4 foram paralisadas após o ataque. Os dois locais afetados são responsáveis por quase a metade da capacidade da refinaria e processam cerca de 12 milhões de toneladas de petróleo por ano, ou cerca de 240 mil barris por dia. A Ucrânia mantém os ataques à infraestrutura energética russa numa tentativa de enfraquecer a economia do país, enquanto a guerra já se arrasta há mais de quatro anos e meio. O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que os ataques tinham como objetivo semear a discórdia dentro da Rússia. A Rosneft não respondeu a um pedido de comentário sobre o ataque à refinaria, localizada cerca de 200 quilômetros (124 milhas) a sudeste de Moscou.
Petr�leo dispara quase 5% e ultrapassa US$ 105 ap�s novos ataques de houthis
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