Pessoas querem valida��o para si pr�prias para abrir a catraca da autoestima

Pessoas querem valida��o para si pr�prias para abrir a catraca da autoestima

Estou farto do verbo validar. Não tenho nada contra o fato de as pessoas fazerem terapia. Embirro um pouco com o fato de saírem do consultório falando como o terapeuta. Ir ao médico ver o que se passa com o nosso joelho não nos transforma em especialistas em ortopedia, mas algumas pessoas que fazem terapia parecem considerar que de repente dominam o jargão da psicanálise. Que, quase sempre, aplicam mal. Veja o verbo validar. Antigamente, não se validava muita coisa. A gente quase só validava o bilhete do ônibus e abria a catraca. Mas agora as pessoas procuram constantemente validação para si próprias, com o objetivo de abrir a catraca da autoestima. A minha irritação é dupla. Primeiro, não é esse o sentido que a palavra tem quando é dita pelo analista. Validar, no consultório do terapeuta, significa "percebo que tenhas ficado magoado com o João". Mas as pessoas acham que significa "aprovo que tenhas partido uma garrafa na testa do João". Segundo, não me agrada o próprio conceito. As pessoas sentem-se validadas quando as outras gostam delas, ou gostam do que elas fazem, e esse apreço é normalmente medido em likes, o que transforma a vida num concurso de popularidade. Ora, as pessoas não estão certificadas para validar. O assassino em série Ted Bundy tinha muitos fãs. O pintor Van Gogh não tinha nem um. Ser admirado e ser admirável não é bem a mesma coisa. Para o nosso valor ser determinado pelos outros, creio que, para eles nos validarem, a gente tem de os validar a eles. Só pessoas que a gente valida terão valor para nos validar. Ninguém se sentirá validado pela validação de um inválido. Sucede que eu não valido ninguém. Colunas Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha Por muito que @crazyeagle23 me aprecie, eu não me sentirei validado, uma vez que não tenho razões para confiar no gosto de @crazyeagle23. Não é uma questão de sobranceria. É só porque tenho estado atento à história da validação. É possível algo ou alguém ser validado por uma grande quantidade de gente sem que isso diga seja o que for sobre o seu valor. Perguntem a um fidget spinner. Certas pessoas costumam dizer, como forma de demonstrar que não se submetem a esta ditadura, que não ligam ao que os outros pensam. Não me quero gabar, mas parece-me que estou num patamar superior: eu não ligo ao que eu penso. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

Original Source

Read the full article at Www1 →

KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.