Uma pesquisa brasileira desenvolvida pelo CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), em Campinas, no interior de São Paulo, identificou um possível novo caminho para combater a doença de Chagas. Trata-se de um novo fármaco que vem sendo estudado internacionalmente contra a malária e que mostrou resultados promissores contra o parasita Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas. O estudo, realizado com apoio da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), foi publicado em agosto na revista científica Journal of Medicinal Chemistry. No Brasil, estima-se que 4,1 milhões convivam atualmente com a enfermidade. A doença tem diferentes fases, podendo ser assintomática ou causar febre e dores no corpo, na fase aguda, até provocar alterações no esôfago, no sistema digestório ou no coração, na fase crônica. Hoje o tratamento é feito com dois medicamentos: benznidazol e o nifurtimox. Ambos, porém, apresentam efeitos colaterais e têm eficácia limitada especialmente na fase crônica. Liderado pelo pesquisador Artur Torres Cordeiro, o estudo do CNPEM partiu da informação de que o fármaco pesquisado contra a malária atua numa proteína que o Trypanosoma cruzi também possui. Desta forma, os pesquisadores começaram a avaliar em laboratório como essa droga interage com a proteína do parasita da doença de Chagas. Os resultados foram promissores. "Ela [a droga] consegue bloquear a função da proteína. Sem essa proteína, o protozoário não consegue mais crescer nem se reproduzir e morre", explica o pesquisador. O trabalho foi possível por meio do Sirius, um acelerador de partículas brasileiro, que fica na sede do CNPEM. O equipamento é uma espécie de microscópio gigante —ele tem o tamanho do Maracanã. O Sirius cria um tipo de luz muito forte, a luz síncrotron, que permite que os cientistas vejam detalhes invisíveis das substâncias analisadas. "A gente conseguiu revelar a estrutura tridimensional da proteína e como a droga interage com ela. Nós mapeamos essas interações, informação crucial para a criação do novo medicamento", explica Artur. A pesquisa ainda está em fase pré-clínica, ou seja, ainda não foi testada em humanos. Ele adianta, contudo, que como esse remédio já vem sendo estudado para a malária, será possível pular algumas etapas. "É o que chamamos de reposicionamento de fármaco. Aproveitamos toda a informação que já havia sido construída para a malária", diz ele. com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Pesquisa brasileira identifica novo alvo contra doen�a de Chagas
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