São Paulo O volume de lixo que uma pessoa produz se perde na memória durante o processo de descarte, por meio da reciclagem ou não. A noção precisa desses resíduos cotidianos está no centro da performance "Diário Refluxo", feita por Peri Pane, persona criada pelo músico e jornalista Marcos Dávila, 51. Nesta edição, que se inicia nesta terça (22) e se estende até domingo (27) no Sesc 24 de Maio, Peri Pane reúne todo o lixo que produz ao longo de seis dias disposto em uma capa de plástico transparente com 43 bolsos. Peri Pane, que apresenta 'Diário Refluxo' - Luis Dávila/Vila Imagem/Divulgação "Você consegue enxergar e sentir o peso de tudo aquilo que esquecemos na lata do lixo. A performance dá visibilidade para as coisas que mandamos para longe das nossas vistas e narizes", explica Peri Pane. Criado pela artista plástica Marina Reis, o traje foi batizado de "ParangoLixoLuxo" em referência aos parangolés, obras de Hélio Oiticica (1937-1980), feitos com tecidos coloridos. Oiticica tem como marca se desvencilhar do objeto artístico e do conceito da arte como algo a ser visto passivamente num museu. Em seu trabalho, havia uma constante convocação das pessoas a interagirem com suas obras, que só se completavam com a ação do público. Além da performance de Peri Pane, que circula pela unidade do Sesc 24 de Maio das 11h às 13h e das 17h às 19h, a programação também inclui o bate-papo "Dá para reciclar? Conhecendo rótulos de embalagens". Em parceria com a influenciadora digital e catadora Laura da Cruz Baía, o debate está marcado para a próxima terça (29), às 19h. No terceiro andar do Sesc também acontece a exibição contínua do curta "Homem Refluxo" (2003), de José Sampaio e Daniel Seda, com produção de Rita Wirtti. A performance "Diário Refluxo" foi criada em 2003. Nos bolsos do "ParangoLixoLuxo", é possível observar embalagens de alimentos e bebidas, incluindo latinhas metálicas, além de papel e papelão. O que predomina, porém, é o plástico. "Sinto o peso físico e o peso ético também, quando muitas vezes carrego comigo embalagens de empresas que não respeitam as relações humanas e ambientais", diz. De 2003 para cá, a performance ganhou novos elementos. Na versão atual, Peri Pane também traz consigo um balde com serragem, onde deposita resíduos orgânicos, como cascas de frutas e legumes. Segundo o artista, a proposta é mostrar como diferentes materiais se deterioram com o passar dos dias e explicar que, quando separado da maneira correta, o material orgânico pode ser transformado em adubo. "Algumas pessoas acham que estou coletando lixo na rua. Quando entendem que se trata do meu próprio descarte pessoal, me usam como espelho e refletem sobre o consumo e o descarte delas mesmas", conta o artista. "A reciclagem é como alguém que tenta esvaziar uma banheira com uma colher. Enquanto não fecharmos a torneira, nunca será possível reciclar todo o plástico do mundo, principalmente porque a maior parte é de uso único e não é reciclável", diz Peri Pane. Para ele, a reciclagem não pode ser pensada como solução isolada. A estratégia para resolver os problemas relacionados aos resíduos, afirma, também depende de uma ação coletiva dos governos. "O que a gente chama genericamente de lixo são muitos materiais que podem ter destinos diferentes. Do ponto de vista individual, uma pessoa só não resolve isso", explica. Para Curtir SP Receba no seu email um guia com a programação cultural da capital paulistaPeri Pane: Diário Refluxo Sesc 24 de Maio - r. 24 de Maio, 109, República, região central. Ter. (22) a dom. (27), das 11h às 13h e das 17h às 19h. Grátis Bate-papo com Laura da Cruz Baía Sesc 24 de Maio - r. 24 de Maio, 109, República, região central. Ter. (29), às 19h. Grátis
Performance de Peri Pane no Sesc debate produ��o de lixo e consumo
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