Pensamento cr�tico ganha espa�o nas empresas em meio � era da IA

Pensamento cr�tico ganha espa�o nas empresas em meio � era da IA

Esta é uma edição da newsletter Folha Carreiras. Quer recebê-la às segundas-feiras no seu email? Inscreva-se abaixo: Folha Carreiras Informações semanais sobre mercado de trabalho e dicas para universitários e recém-formados alavancarem sua vida profissional "O pensamento crítico é o tipo de reflexão na qual você questiona, analisa, interpreta, avalia e julga o que lê, ouve, diz ou escreve". A definição consta em um manual de pensamento crítico elaborado pela australiana Monash University para orientar os próprios alunos da instituição. Os docentes acrescentam que o termo "crítico" origina-se da palavra grega "kritikos", que definia alguém "capaz de julgar ou discernir". Segundo eles, o bom pensamento crítico é aquele que permite ao indivíduo fazer julgamentos confiáveis com base em informações fidedignas. O termo, por muito tempo, apareceu no campo da filosofia, da sociologia e de outras ciências humanas. Recentemente, sobretudo depois da ascensão do uso da inteligência artificial no mercado de trabalho, ele aparece nas listas de habilidades interpessoais que as empresas mais procuram em candidatos. Na edição de hoje, explico como um termo que pode te remeter a um Sócrates de toga em Atenas foi parar no mundo corporativo —e por que você deveria exercitá-la mesmo fora do escritório. No microscópio. Na prática, precisamos todos ser "um pouco cientistas" na vida profissional, explica Carolina da Costa, diretora de impacto e sustentabilidade da Stone e doutora em pensamento crítico e sistêmico pela Rutgers University. "É sobre voltar sua atenção para como você explica o mundo em que vive. Como você formula perguntas? Como constrói suas teorias? Fazemos isso o tempo todo, precisamos decidir no que acreditar", explica a colunista da Folha, com artigos para o C-Level. Mesa cheia. Segundo a especialista, hoje —era de IA e redes sociais— temos muita facilidade em encontrar respostas para nossas perguntas. O difícil é entender a qualidade delas e como elas resolvem os problemas que encontramos. O que as empresas querem dizer quando listam o pensamento crítico como "soft skill" (um jargão em inglês para definir habilidades relacionais no trabalho), de acordo com Costa, é que o funcionário não busque respostas fáceis ou aceite informações sem verificar fontes e vieses. "Primeiro, é importante que ele tenha uma disposição intelectual para perseguir dúvidas importantes, afinal, nenhuma empresa sabe de tudo. Esperamos que os colaboradores sejam capaz de formular dúvidas construtivas, se interessar por elas e ir atrás desse conhecimento", afirma. Costa destaca a importância da vontade de aprender e criar repertório —se interessar pelas opiniões alheias e informações que outras pessoas trazem também acumula pontos nesse placar. "É preciso estudar para poder identificamos o que a gente [empresa] não sabe ainda que precisava saber", declara. "Gostar de mudar de opinião também é uma boa e isso passa por ouvir opiniões contraditórias, ter um certo amor por buscar a verdade. Há vários comportamentos positivos que derivam dessa disposição para pensar", explica. Além dos tokens. O uso da IA é um fator importante na valorização desse ponto por empresas: com as respostas na palma das mãos em segundos, você é capaz de discernir no que confiar? Ou o que é útil e o que é excesso? "Precisamos olhar a IA não como um oráculo, que traz as respostas que buscamos, mas como um ponto de partida para nossa pesquisa ou raciocínio. Em um mundo com excesso de fontes, entenda o que vale ser absorvido por você", analisa Costa. Cuidado! A diretora sublinha que ser crítico é diferente de ser "cricri". Isto é, você não precisa discordar de tudo sempre para mostrar que você está refletindo sobre o assunto. Comentar quando você tem uma pergunta ou opinião pertinente, no entanto, é sempre bem-vindo —a pertinência do comentário, cabe a você avaliar. Para Costa, também é papel da empresa demonstrar que valoriza o olhar crítico e não pune quem diverge da opinião majoritária ou da opinião que vem de cima. Ela resume a resposta dos funcionários às exigências da liderança no dito: "diga-me como me avalias que direi como me comporto". Na prática... aí vão algumas dicas de Carolina da Costa para desenvolver o pensamento crítico como parte do dia a dia. Leitura, leitura e leitura. Ler muitos (e bons) livros é um bom começo. O estudo da filosofia, por exemplo, é uma boa forma de aprender a fazer boas perguntas. Faça a lição de casa. Estude fora do trabalho e sobre coisas que não necessariamente dizem respeito ao trabalho. Procure cursos e informação em instituições confiáveis —fontes como universidades, professores, acadêmicos, veículos da imprensa e literatura são um bom começo. Saia da sua bolha. Se esforce para buscar ambientes e opiniões contraditórias às que você nutre. Transite entre esferas sem julgar antes de ouvir argumentações diferentes. Nesse esforço, você treina a escuta e amplia suas perspectivas. Da porta para fora. Finalmente, é preciso bater na tecla de que o pensamento crítico é importante para a vida corporativa, mas quase mais importante ainda fora dela. Exercitar a escuta, a avaliação e a procura por informação séria te trará mais benefícios do que um elogio do chefe por ter feito um questionamento interessante. Vamos nessa? De olho no mercado Veja o que está acontecendo no mundo corporativo Levantamento do CIEE mostra que 63,3% dos jovens que passaram pelo programa de aprendizagem da instituição estão inseridos no mercado de trabalho. Desse total, 36,8% estão em regime CLT, 10,8% atuam como estagiários, 9,8% permanecem como aprendizes e o restante está em atividades como trabalho autônomo, informal ou empreendedorismo. Os outros 36,7% não estão trabalhando atualmente. O estudo também traça o perfil dos participantes: 62,8% são mulheres, e a faixa etária de 18 a 21 anos reúne a maioria do grupo. Do total, 54,57% ainda estudam e 42,89% já concluíram a formação — 50,29% no ensino médio e 38,38% no ensino superior. Sobre a renda, 29,9% dos jovens vêm de famílias com rendimento entre R$ 1.412 e R$ 2.824. Após a aprendizagem, 24,5% usam a remuneração para o próprio sustento e 18,04% para despesas familiares. Metade dos egressos considera a aprendizagem decisiva para conseguir o emprego ou estágio atual. Anota aí Dicas que podem te ajudar a conquistar as vagas que você quer Programa de estágio Kraft-Heinz A empresa, dona de rótulos como Heinz, Hemmer, Quero e BR Spices, abriu as inscrições para novos estagiários. O programa tem duração de 12 a 24 meses e há possibilidade de efetivação no final da jornada. Os candidatos devem estar matriculados em cursos de bacharelado, tecnólogo ou licenciatura, com conclusão prevista para dezembro de 2027. As oportunidades são direcionadas a estudantes de engenharias e administração. Segundo a companhia, o inglês não é obrigatório, mas pode ser um diferencial. Os interessados podem se candidatar por meio deste link até o dia 22 de setembro. B3 Career Summit A bolsa de valores de São Paulo realizará, em 26 de setembro, a terceira edição de seu congresso. O evento é gratuito, com foco em estudantes, jovens profissionais e pessoas em início ou transição de carreira. O tema principal neste ano é a preparação para as transformações no mercado de trabalho. A programação é dividida em três eixos: Carreira & Desenvolvimento Pessoal, Tecnologia, Inovação & Inteligência Artificial e Mercado Financeiro. O conteúdo será apresentado por especialistas da B3 e de empresas parceiras como Microsoft, LinkedIn, Databricks, Oracle, Empower, Planejar e Black Finance, entre outras. Inscreva-se neste link. Programa de estágio Ultragaz A Ultragaz abriu as inscrições para seu programa de estágio, que acontecem por meio deste link e ficam abertas até o dia 11 de outubro. Os selecionados receberão uma bolsa-auxílio de R$ 3.000,00, assistência médica, assistência odontológica, seguro de vida, vale-transporte e acesso ao Wellhub. Há vagas em estados de todas as regiões do país —a lista completa está no site do programa. Para participar, os candidatos devem estar matriculados em cursos de administração, ciência de dados, ciências contábeis, ciências da computação, direito, economia, engenharias, estatística, sistemas de informação, tecnologia ou áreas correlatas, de acordo com a oportunidade. É necessário ter previsão de conclusão do curso até dezembro de 2027 e disponibilidade para uma jornada de 6 horas diárias. Entre os conhecimentos desejáveis estão Excel, análise de dados e habilidades analíticas.

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