Pecorino Trattoria promete tradi��o, mas funciona como linha de montagem

Pecorino Trattoria promete tradi��o, mas funciona como linha de montagem

Crítica | SP Pecorino Bar & Trattoria Duas estrelas (regular) R. Passo da Pátria, 1.679, Vila Leopoldina, região oeste. @pecorinobr "A conta, por favor." O que se seguiu a esta frase no Pecorino Trattoria da Vila Leopoldina durante um almoço de domingo foi ligeiramente constrangedor. O garçom respondeu: "Claro! Mas antes avalia a gente no Google que o café sai de graça". Foi quando notei que o QR code no display em cima das mesas não era para abrir a versão digital do cardápio. Em letras grandes, anunciava: "Ganhe um café expresso". Embaixo, um pouco menor: "Após nos avaliar no Google". E numa fonte minúscula, no pé da plaqueta, completava: "Após a avaliação, mostre ao garçom e receba seu café". Tiramissu do Pecorino Trattoria - Priscila Pastre/Folhapress Então peguei o celular. Não para responder o questionário e ganhar a bebida. Mas para ver a nota daquela unidade do Pecorino (que é uma rede com muitas lojas espalhadas na cidade) no Google. Das últimas 20 avaliações, nada menos que 18 davam a nota máxima: cinco estrelas. As outras duas não ficavam muito atrás: quatro estrelas. Algumas traziam elogios à comida, ao ambiente e ao serviço. Nada exatamente condizente com as visitas que fiz. O primeiro prato que provei foi um penne à bolonhesa (no cardápio, está como nhoque, mas a casa gentilmente substituiu a receita por penne à pedido do meu acompanhante; R$ 69). A massa chegou em menos de cinco minutos, e a textura sugeria que havia sido pré-cozida. Escorregadia, ela não aderia ao molho. Este, por sua vez, era de tomate com carne moída, sem o sabor concentrado e a sedosidade que se espera de um bom bolonhesa. Pedi também o ravióli verde recheado com muçarela de búfala (R$ 74). Simples e com recheio na medida, a massa combinou com o molho rústico de tomate e manjericão. Mas mantinha a característica escorregadia na língua. Como a porção não satisfaz, se optar por ele é melhor pedir uma entrada antes. O fettuccelle ao ragu di agnello (R$ 78) foi a melhor escolha da refeição, apesar de o nome não ser condizente com a receita. No lugar do ragu (um preparo encorpado, em que a carne desmancha com o cozimento lento), o que chega é um molho de tomate com a carne de cordeiro em pedaços. Apesar disso e de faltar sal, o agnello estava macio, e o cozimento da massa, que lembra um fettuccine um pouco mais estreito, estava correto. O tiramissu (R$ 22) foi um desastre. Em vez da sobremesa italiana macia e cheia de nuances, o garçom trouxe um bloco congelado, montado com o que parecia ser sorvete de creme. A única coisa que remetia ao doce era a camada do meio, de bolacha champanhe embebida em café. Muito doce, não deu para passar da segunda colherada. Para Curtir SP Receba no seu email um guia com a programação cultural da capital paulistaNas duas visitas, famílias ocupavam algumas das mesas do grande salão. Na chegada dos pedidos, os garçons oferecem queijo à vontade ralado na hora, naquele esquema de só parar quando o cliente avisar. Na parede, uma TV passa em looping cenas com as receitas da casa, talvez com a intenção de abrir o apetite. Quando a rede se vende como tradicionalmente italiana, o que vem à mente é uma cozinha artesanal. Na prática, parece seguir uma lógica industrial, próxima a uma linha de montagem. Ingredientes pré-prontos à espera de serem combinados no seu prato e mandados ao salão. Com ritmo de fast-food e preparos padronizados, o Pecorino Bar & Trattoria é um lugar para comer rápido e ir embora —de preferência, sem dar cinco estrelas em uma avaliação no Google em troca de um café.

Original Source

Read the full article at Guia →

KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.