Paty Werneck � eleita sommeli�re do ano no especial O Melhor de S�o Paulo

Paty Werneck � eleita sommeli�re do ano no especial O Melhor de S�o Paulo

Quando você chega ao Nomo, restaurante na Vila Madalena, e recebe a carta de vinhos, pode escolher seu rótulo usando as informações usuais: uva, região, safra. Mas pode também antecipar na imaginação cada rótulo em oferta ao ler (ou ouvir) as descrições da sommelière Paty Werneck, que vai direto ao ponto: o espumante brasileiro Vita Eterna Brut, feito com chardonnay e pinot noir em Pinto Bandeira (RS), é descrito como "maçã verde, abacaxi em calda"; o branco espanhol Piqueras Wild Fermented feito com verdejo é "salgadinho, leve pão, fundo de mel"; e o pinot noir italiano Grosjean Vigne Tzeriat é "biscoito recheado de morango". Werneck idealizou e toca o Nomo desde 2023, e o Gnomo, bar aberto na esquina em frente ao restaurante, desde 2025. É responsável pelo garimpo das garrafas abertas ali, pela montagem cuidadosa das cartas, que mudam de tempos em tempos, pelas harmonizações sempre surpreendentes e pelo serviço das duas casas. Faz tudo de forma tão informal que, enquanto uns vêm falando em "tirar a gravata do vinho", é como se ela o vestisse de cropped. É no contato com o cliente que ela brilha: é simpática e ótima tradutora dos mistérios das garrafas. Costuma acertar nas indicações após breve entrevista —o faz com tal maestria que você pensa que está apenas jogando conversa fora— e propõe casamentos entre comida e bebida inusitados, com vinhos de regiões novas e castas pouco badaladas, como a francesa menu pineau, a espanhola trepat, a portuguesa negra mole. Aos 36 anos, a mineira se considera ainda uma iniciante no mundo do vinho: formada em publicidade e com atuação no audiovisual, largou tudo para mergulhar no café, porta de entrada para sua paixão pelo vinho. Após fechar sua cafeteria em Belo Horizonte durante a pandemia, mudou-se para São Paulo e passou a ajudar no serviço do bar Iaiá Cave à Manger. A experiência a levou aos estudos, a escolher a veterana Alexandra Corvo como guru e a encarar certificações como o WSET, para então abrir o Nomo, com o companheiro Nando Carneiro, chef da casa. Hoje, ela se considera empreendedora acima de tudo, mas a paixão pelo vinho e a profundidade do seu conhecimento a denunciam. "É a típica história da nerd que fica descolada", afirma sobre a força com que abraçou os estudos da bebida e sua forma de comunicá-la nas duas casas. Ainda bem que ela diz que está só começando. NOMO R. Harmonia, 815, Vila Madalena, região oeste. @nomogamia GNOMO R. Rodesia, 206, Vila Madalena, região oeste. @gnomovinhos

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