Usuários dos trens metropolitandos encaram uma noite de problemas para chegar em casa nesta terça-feira (4) em meio à greve dos ferroviários em São Paulo. Na estação Brás, passageiros embarcam com dificuldade em trens lotados em direção à zona leste. Na plataforma cheia, pessoas reclamavam que o intervalo estava maior do que o normal. Usuária da linha 11-Coral, a vendedora Natalli Freitas, 20, contou que espera levar uma hora a mais para concluir o trajeto até sua residência em Ferraz de Vasconcelos, na grande São Paulo. Ela usualmente faz o percurso de trem a partir do centro da capital até o município onde mora. Com a greve, terá de tomar dois ônibus a partir da estação Guaianases. "Tá bem pior hoje do que em outros dias", relatou. Em Itaquera, poucos passageiros faziam a transferência do metrô para a CPTM, mas aqueles que utilizavam a integração também encontravam os trens lotados. "Tá muito mais cheio", conta a técnica de enfermagem Larissa Dimas, 24, que diariamente faz o percurso pela linha 11 entre as estações Itaquera e Dom Bosco. Em Guaianases, o embarque nos ônibus da operação Paese era caótico. Sem funcionários para organizar filas, passageiros tentavam embarcar logo que os coletivos chegavam ao terminal, antes da parada no ponto oficialmente indicado. Para chegar antes aos veículos, usuário romperam uma grade cuja função é justamente evitar a travessia de pedestres na movimentada avenida. Os ferroviários protestam contra a concessão das linhas e as falhas apresentadas pela Trivia Trens após a empresa assumir as linhas que eram da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). Em nota conjunta, a CPTM e a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) prometeram preservar postos de trabalho e analisar projetos de lei de interesse da categoria. Segundo a CPTM, a linha 11-Coral opera parcialmente entre Palmeiras-Barra Funda e Guaianases. Na linha 12-Safira, os trens circulam entre Brás e Engenheiro Goulart, o que impede os passageiros de continuar os trajetos até cidades do Alto Tietê, como Suzano e Mogi das Cruzes. Já a linha 13-Jade, incluindo o Expresso Aeroporto, opera com um trem e velocidade reduzida. Para reduzir os impactos aos passageiros, foi acionado o Paese (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência), com ônibus gratuitos em parte dos trajetos. A paralisação teve início na madrugada desta terça, afetando as linhas 11-coral, 12-safira e 13-jade, provocando superlotação, atrasos e falta de informações na ida ao trabalho. Os ramais transportam cerca de 785 mil passageiros em dias úteis. As ferrovias 11-coral e 12-safira operaram parcialmente. Já a 13-jade parou por completo. A greve por tempo indeterminado foi decidida nesta segunda (3) em votação no Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil (STEFZCB). O TRT (Tribunal Regional do Trabalho) determinou a operação de 80% do efetivo nos horários de pico e de 60% nos demais períodos. Em caso de descumprimento, a multa diária é de R$ 400 mil. O governador Tarcísio de Freitas classificou a greve como "instrumentalização política" e afirmou que o governo manterá o plano de conceder as linhas da companhia à iniciativa privada. Em publicação nas redes sociais, também acusou o sindicato de usar passageiros como forma de pressão. "Nosso compromisso é com quem acorda cedo todos os dias e precisa de um transporte público confiável para chegar ao trabalho, estudar, ir a uma consulta ou realizar um exame. A greve de hoje é resultado unicamente de instrumentalização política para prejudicar o passageiro e o cidadão de bem", escreveu o governador. Na publicação, o republicano afirmou que o governo permanece aberto ao diálogo, mas disse que a paralisação não mudará o plano de concessões. Segundo ele, a transferência da operação para a iniciativa privada permitirá investimentos em infraestrutura, compra de novos trens, modernização das estações, melhorias na via permanente e ampliação da malha ferroviária.
Passageiros encaram plataformas cheias e lentid�o na volta para casa com greve na CPTM
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