A Câmara dos Deputados da Itália aprovou, nesta quinta-feira (16), um plano governamental para reformar a lei eleitoral, uma medida que os opositores denunciaram como uma tentativa de ajudar a primeira-ministra, Giorgia Meloni, a se manter no poder nas próximas eleições, previstas para o ano que vem. A proposta da coalizão governista de direita —composta pelo partido Irmãos de Itália (de Meloni), pela Liga e pelo Força Itália— introduziria um sistema totalmente proporcional, ao mesmo tempo em que garantiria a maioria para qualquer bloco que obtivesse mais de 42% dos votos. Os vencedores que ultrapassarem esse limite receberiam um bônus de 70 assentos na Câmara dos Deputados (que possui 400 membros) e 35 assentos no Senado (de 200 membros). No entanto, a representação total deles seria limitada a 220 e 113 assentos, respectivamente, em uma tentativa de evitar maiorias excessivamente grandes. O debate sobre a reforma expôs tensões dentro da aliança. Na terça-feira (14), os parlamentares rejeitaram uma proposta do governo para permitir que os eleitores expressassem votos de preferência por candidatos em listas partidárias, em parte devido a dissidências dentro da própria coalizão. O projeto de lei ainda precisa da aprovação do Senado, que o governo espera obter após o recesso de verão (no hemisfério norte). Sob o sistema atual, a maioria dos parlamentares é eleita por representação proporcional, enquanto cerca de um terço é escolhido em distritos de maioria simples, que analistas dizem tender a favorecer a oposição. A reforma extinguiria os assentos de maioria simples, inclusive no sul da Itália, onde a aliança de centro-esquerda liderada pelo Partido Democrático (PD) e pelo Movimento 5 Estrelas é vista como particularmente competitiva. Os apoiadores do governo afirmam que a reforma garantiria que uma maioria estável saísse das urnas. No início de setembro, Meloni deve se tornar a primeira-ministra pós-guerra com mais tempo de serviço na Itália. A ascensão de um novo movimento de ultradireita tem inquietado o campo de Meloni nos últimos meses, minando o apoio à coalizão governista e levantando dúvidas sobre suas perspectivas nas próximas eleições. Euro Radar Uma newsletter sobre geopolítica e economia global, editada pelo jornalista João Caminoto, de Paris O partido Futuro Nazionale, liderado pelo ex-general do exército Roberto Vannacci, aparece atualmente com pouco mais de 6% das intenções de voto em pesquisas. A sigla chegou a ultrapassar a Liga em algumas sondagens, enfraquecendo a coalizão, já que ainda não está claro se Vannacci acabaria se alinhando a Meloni. De acordo com uma simulação do instituto de pesquisas YouTrend, uma aliança de direita que inclua o Futuro Nazionale conseguiria garantir a maioria, enquanto a centro-esquerda poderia vencer caso Vannacci decidisse concorrer de forma independente. "O resultado da próxima eleição dependerá não apenas da lei eleitoral, mas crucialmente de onde o Futuro Nazionale se posicionará", afirmou o YouTrend.
Parlamento italiano aprova reforma eleitoral que pode beneficiar Meloni
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