Para receber Fl�vio, Trump recorre a modelo de acolhida humanit�ria que destruiu

Para receber Fl�vio, Trump recorre a modelo de acolhida humanit�ria que destruiu

Para acolher Flávio Bolsonaro (PL) após a fuga do senador do Brasil, Donald Trump recorreu ao sistema de acolhida humanitária e refúgio que ele próprio destruiu em seu segundo mandato. Ao desembarcar na base aérea de voos privados de Opa-locka, na Flórida (que já serviu como base para a CIA) na quarta-feira (28), Flávio recebeu a chamada permissão humanitária de entrada (o "humanitarian parole"), que conta em seu registro de ingresso. O mecanismo permite que fique no país por pelo menos um ano. Como o próprio nome diz, a autorização é uma permissão temporária para ingressar nos Estados Unidos por motivos humanitários urgentes ou, então, por representar um benefício público significativo. Não se trata de um visto. E com ela tampouco se ganha residência permanente, nem se tem a garantia de benefícios imigratórios futuros. É como uma solução de curto prazo. A possibilidade foi criada nos anos 1950, junto com a Lei Nacional de Migração. Mas Trump desmantelou essa solução de curto prazo para dezenas de milhares de imigrantes. Antes o "parole" era concedido a parte dos imigrantes que chegavam à fronteira com o México e apresentavam seus casos. Eles recebiam permissão para entrar no país com a acolhida humanitária e, só depois, tinham de se apresentar a um juiz para formalizar seu pedido de asilo, ou qual fosse. O Departamento de Segurança Interna anunciou no último dia 16 que completou o primeiro ano fiscal (de outubro de 2025 a setembro passado) sem conceder o "parole" para imigrantes na fronteira. Mais do que isso, o presidente Trump também terminou com a acolhida humanitária que era ofertada para facilitar a entrada de cidadãos de Cuba, Haiti, Nicarágua e Venezuela, países que as administrações anteriores entendiam ser um risco para a vida de seus cidadãos, seja pela perseguição política seja pelo colapso humanitário. Trump chegou a se referir ao "parole" na última campanha presidencial como uma forma de "liberdade condicional", insinuando que os imigrantes beneficiários seriam criminosos. Ele falava sobre Springfield, em Ohio, onde estão concentrados imigrantes do Haiti. E esse não foi o único caso que Trump desmantelou. Caso cumpra o que alguns de seus aliados e aliados de Flávio têm dito sob reserva à imprensa e conceda asilo político ao senador, ele também recorrerá a outro mecanismo migratório que naufragou em seu governo. O sistema de refúgio no país tem sido desmantelado. Em 2026, sob o segundo mandato de Trump, os Estados Unidos admitiram apenas 16,2 mil refugiados —o menor número desde 1975, se excluídos os anos de pandemia, 2020 e 2021, quando todas as políticas americanas de migração naturalmente foram restringidas. Igualmente relevante é a mudança no perfil das pessoas admitidas: 99,96% deles são sul-africanos brancos, os chamados afrikaners. Sem provas, Trump já disse que as políticas da África do Sul destinadas a combater a desigualdade racial após o terror do sistema do apartheid prejudicariam a população branca daquele país. Em anos anteriores, como 2024, a população de refugiados aceitos pelos EUA era muito mais diversa, incluindo pessoas de países da América Latina, bem como da África e da Ásia. Muitos vinham da República Democrática do Congo, da Somália, de Mianmar, da Síria e do Afeganistão. Para eles, a porta foi fechada. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Refúgio e asilo no país têm praticamente o mesmo significado, o que muda é a nomenclatura: fala-se em refúgio quando o requerente faz o pedido antes de ir aos EUA; e em asilo quando o pedido é feito já se estando em solo americano. E as ações de Trump também têm contaminado a Justiça. Se por um lado o Executivo fechou as portas para o refúgio, por outro as cortes têm negado o asilo (94% dos casos julgados em junho passado foram indeferidos). A Flórida, destino do filho 01 de Jair Bolsonaro e sua família, é o segundo estado onde mais imigrantes brasileiros foram presos sob Trump 2 (1.177 até agosto). Em primeiro está Massachusetts (3.591). São, em geral, pessoas ao redor de 37 anos, um pouco mais novas que o senador de 45 anos. Metade delas já foi deportada para o Brasil. Dos deportados, 21% moravam na Flórida havia mais de dez anos.

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