Os tr�s erros mais comuns ao avaliar um investimento

Os tr�s erros mais comuns ao avaliar um investimento

O cérebro humano é uma máquina extraordinária de simplificar informações. Diante de centenas de dados, ele procura um único número que pareça resumir toda a história. Fazemos isso ao escolher um restaurante pela nota média, um hotel pela avaliação dos hóspedes ou um aluno pela média final. Nos investimentos, porém, esse atalho costuma levar a conclusões erradas. Ao avaliar um fundo, a maioria das pessoas olha apenas para o retorno acumulado dos últimos 12 meses ou do ano. O número parece objetivo, mas frequentemente esconde justamente as informações que mais importam. O problema não é o indicador. É como nosso cérebro o interpreta. O primeiro erro é acreditar que os últimos 12 meses contam toda a história. Um gestor que construiu um histórico consistente durante anos pode atravessar um período mais difícil, assim como um gestor mediano pode ser beneficiado por um momento específico do mercado. Julgar uma estratégia apenas pelo período recente é como avaliar um atleta apenas pela sua última corrida. O segundo erro é ainda mais sutil: olhar apenas o acumulado e ignorar a trajetória. Imagine um fundo de renda fixa de liquidez diária cuja meta seja entregar algo próximo de 102% do CDI. Durante 11 dos 12 meses ele faz exatamente isso. Mas no meio do período, em apenas um mês, uma abertura dos spreads provoca uma queda temporária na marcação a mercado. O resultado acumulado dos 12 meses pode acabar abaixo do CDI, apesar de o fundo até apresentar retornos melhores após o evento. Quem observa apenas o número final conclui que o gestor falhou. Já quem observa a trajetória faz outra pergunta: o que aconteceu naquele mês? Foi um erro de gestão? Uma decisão equivocada? Ou simplesmente um evento de mercado que afetou temporariamente o preço dos ativos? A perda já está sendo recuperada? Esses questionamentos mudam completamente a qualidade da análise. Existe um terceiro erro, igualmente comum: concentrar toda a atenção nos momentos ruins e ignorar a capacidade de recuperação da estratégia. O mercado oscila e todo investimento vai refletir esta variação em menor ou maior intensidade. Aliás, um produto que nunca oscila merece até mais investigação. Em alguns casos, essa estabilidade não significa ausência de risco, mas apenas uma metodologia de precificação que não registra diariamente as variações do mercado. Por isso, mais importante do que perguntar se um fundo caiu é entender como ele reagiu depois. Quanto tempo levou para recuperar as perdas? Em episódios semelhantes do passado, o gestor manteve disciplina ou mudou a estratégia por desespero? Os fundamentos permaneceram os mesmos? É justamente nesses momentos que se avalia uma equipe de gestão. No mercado financeiro, o retorno acumulado de um período é apenas o placar do jogo de um campeonato. O investidor, porém, deveria assistir ao jogo e acompanhar todo o campeonato. O placar informa quem venceu neste jogo. Mas não explica se a vitória veio por competência, por sorte ou por um lance isolado. Tampouco o resultado do campeonato. Da mesma forma, um retorno acumulado mostra onde um fundo chegou, mas não revela o caminho percorrido para chegar até ali. Investir melhor começa quando deixamos de procurar apenas respostas rápidas e passamos a fazer perguntas melhores. Afinal, retornos mostram resultados. Trajetórias revelam qualidade. E, no longo prazo, é a qualidade da trajetória que costuma determinar os resultados futuros. Michael Viriato é planejador patrimonial e sócio fundador da Casa do Investidor. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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