Oposi��o cobra impeachment de Moraes, mas v� resist�ncia de Alcolumbre e centr�o

Oposi��o cobra impeachment de Moraes, mas v� resist�ncia de Alcolumbre e centr�o

Senadores de oposição falam em aumentar a cobrança pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), mas admitem poucos efeitos práticos, diante da falta de votos e de apoio do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Reservadamente, dois aliados de Alcolumbre dizem não ver qualquer mudança de postura por parte dele, a partir das novas informações sobre a relação do ministro do Supremo com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. Um deles afirma que a possibilidade de o senador dar início a um processo de impeachment continua igual a zero e que qualquer desdobramento no Senado só deve ocorrer depois das eleições. Alcolumbre, Moraes e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) jantam juntos frequentemente e têm uma relação de bastante proximidade. Na presidência, os dois senadores sempre se colocaram como anteparo do afastamento de Moraes. Um dos principais líderes do centrão, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que é investigado pela Polícia Federal no caso Master, não quis responder sobre o pedido de impeachment nem sobre o teor do inquérito que veio à público nesta terça. Ciro afirmou que não tinha visto o noticiário e que está focado na reeleição dele. "Eu só quero saber de eleição no Piauí. Nenhuma outra pauta. Esse não é meu foco, desculpa", disse o senador, suspeito de receber dinheiro vivo e viagens de luxo de Vorcaro e de atuar a favor dos interesses dele no Congresso Nacional. Para aumentar a pressão pública, parte da oposição discute repetir o motim feito quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi preso, em agosto do ano passado, segundo a senadora Damares Alves (Republicanos-DF). "O Brasil aguarda isso. Defendo ocuparmos o Senado até o impeachment ou a renúncia de Moraes. O Brasil aguarda isso, é estarrecedor", afirma. As notícias envolvendo Moraes e Vorcaro foram discutidas nesta terça-feira (1º) durante um almoço organizado semanalmente entre bolsonaristas. Segundo relatos, o clima foi de resignação. "O presidente [Davi Alcolumbre] tem feito acordos e mantido pedidos de impeachment na gaveta. O Senado é a Casa que tem que ter altivez. Não podemos mais deixar de dar respostas", diz o senador Carlos Viana (PSD-MG). Parlamentares dos dois lados afirmam que as revelações sobre Moraes e Vorcaro devem incendiar ainda mais as eleições, tanto a de presidente da República como a de senadores. O caso também estará no centro da manifestação bolsonarista marcada para o feriado de 7 de Setembro, em São Paulo. Eleições Hoje Receba no seu email destaques das campanhas, pesquisas e disputas nos estados Sem maioria política no Senado para um processo de impeachment, o candidato à Presidência do PL, senador Flávio Bolsonaro, defendeu que o ministro renuncie ao cargo e cobrou explicações —apesar de, ele próprio, evitar responder sobre sua relação com Vorcaro. O ex-banqueiro financiou o filme "Dark Horse", que contará a história de seu pai, Jair Bolsonaro. "É uma coisa muito grave. Eu acho que o Alexandre de Moraes tinha que renunciar ao Supremo Tribunal Federal. Não tem mais condição dele continuar sendo ministro do Supremo", disse Flávio a jornalistas. O líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), anunciou um novo pedido de impeachment e disse que o grupo vai continuar fazendo a parte dele. Segundo o Partido Novo, há 53 pedidos de afastamento contra Moraes no Senado. Integrantes do governo avaliam que as revelações desta terça devem tumultuar o Senado, mas não a ponto de impedir votações como a do fim da escala de trabalho 6x1 na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), prevista para esta quarta-feira (2). A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que a oposição quer se aproveitar dos fatos para impor uma pauta que já defende há mais tempo, o impeachment de Moraes. A senadora admitiu, porém, que as suspeitas sobre o ministro são graves. "A nossa pauta não é essa", disse a senadora sobre o afastamento do ministro, defendendo que o Congresso se debruce exclusivamente sobre os temas pautados para esta semana, como a medida que acaba com o imposto de importação para compras internacionais até US$ 50. "Esses projetos não interessam apenas ao governo, eles são projetos que interessam à sociedade. Se a oposição não quer fazer do Senado a caixa de ressonância da sociedade, eles têm que ser responsabilizados. Estão colocando o debate eleitoral acima das questões políticas", disse. Durante a tarde, Flávio fez um discurso no plenário, cobrando que o Senado abra o processo de impeachment contra Moraes. A sessão foi dominada pela indicação de Rodrigo Pacheco (PSB-MG), um aliado de Moraes, ao TCU (Tribunal de Contas da União), sendo que a maioria dos senadores ignorou as revelações desta terça —além de Flávio, apenas Viana, Magno Malta (PL-ES), Alessandro Vieira (MDB-SE) e Esperidião Amin (PP-SC) falaram sobre o ministro. "Alexandre de Moraes precisa ter o processo de impeachment imediatamente iniciado. [...] Não dá para fingir que ele não cometeu crime de responsabilidade, pelo amor de Deus", disse o candidato do PL. "É muito preocupante essa espécie de anestesia que estamos vendo por parte do Poder Legislativo. [...] Até quando esse Senado vai tapar os olhos. [...] Cadê os defensores da democracia que não estão falando desse absurdo, desse conluio, desses crimes que claramente foram praticados por Alexandre de Moraes?", questionou Flávio. O senador acusou o STF de ameaçar a política. "Hoje todo mundo aqui, de um jeito ou de outro, acaba vivendo sob uma espécie de ameaça, uma espada apontada para a sua cabeça. [...] Vamos ficar aceitando esse estado policialesco de ameaça, de interferência na política até quando?", disse. Flávio também provocou Alcolumbre, que é próximo de Moraes, lembrando que foi por meio do ministro que Lula (PT) e o presidente do Senado se reaproximaram. "O presidente da República tem que se servir de Alexandre de Moraes para fazer articulação política, presidente Davi, com Vossa Excelência", declarou. Investigação da Polícia Federal tornada pública nesta terça indica que Vorcaro perguntou a Moraes se deveria fugir do país, dois dias antes da operação em que acabou preso, em novembro do ano passado. Moraes também editou o contrato de R$ 131 milhões firmado pelo Banco Master com o escritório da mulher dele, Viviane Barci de Moraes. Além do pedido de impeachment de Moraes, a oposição apresentou uma queixa-crime contra ele na PGR (Procuradoria-Geral da República) e um ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, em que pede a abertura de uma investigação. A oposição afirmou que também vai enviar um ofício ao presidente Lula pedindo o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e acionar a PGR contra ele —mas não por meio do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que acusam de estar contaminado. Em mensagens enviadas a Moraes, Vorcaro pergunta se o ministro poderia intervir a favor dele junto a Andrei ou a Gonet. Relatório da PF aponta que um filho de Gonet pediu a Vorcaro para ir a um evento custeado pelo então banqueiro em Londres, com despesas pagas.

Original Source

Read the full article at Www1 →

KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.