ONU recebe s� 20% de verba solicitada para enfrentar efeitos do El Ni�o

ONU recebe s� 20% de verba solicitada para enfrentar efeitos do El Ni�o

Nairobi (Quênia) |AFP A ONU recebeu apenas 20% dos US$ 202 milhões (R$ 1,05 bilhão) solicitados para se preparar para crises alimentares provocadas pelo El Niño em 22 países de alto risco, afirmou um alto funcionário da organização à AFP nesta sexta-feira (25). O fenômeno natural de aquecimento provocado pelo El Niño, que deve atingir seu pico entre outubro e dezembro, caminha para ser o mais forte já registrado, ampliando os efeitos das mudanças climáticas provocadas pela atividade humana. Uma carroça puxada por um burro atravessa uma enchente na após forte chuva em Mogadíscio, na Somália - Feisal Omar - 16.set.26/Reuters As secas e inundações previstas devem atingir com maior intensidade países que já enfrentam níveis graves de insegurança alimentar. Mais da metade dos 22 países de maior risco está na África, enquanto os demais estão distribuídos entre Ásia e Pacífico, América Latina e Caribe. A ONU afirmou nesta semana que milhões de pessoas na Somália, por exemplo, já enfrentam níveis elevados de fome, enquanto a desnutrição aguda entre crianças deve piorar com a chegada do El Niño. O PMA (Programa Mundial de Alimentos) e a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) solicitaram, em junho, US$ 202 milhões (R$ 1,05 bilhão) para apoiar quase 9 milhões de pessoas nesses países. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesMas receberam apenas cerca de US$ 40 milhões (R$ 207,7 milhões), afirmou Rein Paulsen, diretor de Emergências e Resiliência da FAO, à AFP, em Nairóbi. "Temos alertas antecipados. Entendemos o que é necessário (...) [mas] o financiamento é um desafio real que limita nossa capacidade de fazer o que sabemos que pode reduzir e minimizar o impacto de inundações ou secas", disse. Segundo ele, a situação é ainda mais preocupante porque o valor solicitado é baixo para os padrões internacionais. "Isso evita a necessidade de uma resposta humanitária muito mais cara caso todos os impactos do desastre se concretizem", acrescentou.Projeções científicas divulgadas na quarta-feira (23) estimaram que o atual episódio de El Niño poderá provocar 451 mil mortes adicionais no mundo até fevereiro, à medida que as temperaturas subirem. "A África, sem dúvida, será duramente atingida por esse fenômeno do El Niño", disse Paulsen. Segundo ele, o fenômeno agravará situações já catastróficas em vários países africanos, afetados por conflitos, deslocamentos populacionais e altos níveis de desnutrição. Em agosto, o Conselho Norueguês para Refugiados afirmou que seis milhões de pessoas na Somália enfrentam níveis críticos de fome, enquanto mais de 700 mil foram deslocadas neste ano —500 mil delas devido apenas à seca.

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