Oncocl�nicas vende participa��o em joint venture saudita por R$ 33,3 milh�es

Oncocl�nicas vende participa��o em joint venture saudita por R$ 33,3 milh�es

A Oncoclínicas concluiu, nesta quinta-feira (20), a venda de sua participação em uma empresa na Arábia Saudita por R$ 33,3 milhões. A saída do negócio faz parte do plano de reestruturação da companhia, que entrou com pedido de recuperação extrajudicial em julho. A rede brasileira detinha 45 mil ações da joint venture Specialized Medical Treatment Company, equivalentes a 27,49% do capital social, fatia que agora foi vendida para os grupos Al Faisaliah Group Holding Company e Advanced Drug Company for Pharmaceuticals. "A conclusão desta operação constitui etapa relevante na implementação do plano de reestruturação da situação financeira da companhia", diz o comunicado da Oncoclínicas. Segundo a empresa, o valor recebido está sendo utilizado para comprar medicamentos. A operação ocorreu por meio de um contrato de compra e venda de ações. Segundo o comunicado, a joint venture está constituída sob as leis do Reino da Arábia Saudita para o desenvolvimento de atividades de tratamento oncológico no país. A rede de clínicas oncológicas entrou com pedido de recuperação extrajudicial em julho para tentar renegociar uma dívida de R$ 5,2 bilhões. Fundada em 2010, a Oncoclínicas é a maior rede oncológica privada do Brasil, com 142 unidades, 1.700 médicos e 593 mil tratamentos anuais. Em 2021, a companhia abriu capital na Bolsa e iniciou um movimento de expansão agressiva, com uma estratégia de aquisições de hospitais de alta complexidade. O ponto de virada do período aconteceu em 2024, quando o Banco Master se tornou sócio relevante. Inicialmente, a instituição de Daniel Vorcaro comprou 10% de participação na Oncoclínicas. Em julho daquele ano, o Master consolidou uma fatia de 20,18% do capital social da rede. Com a prisão de Vorcaro e a liquidação do Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, a Oncoclínicas entrou em uma espiral de problemas financeiros. Inicialmente, a companhia anunciou que tinha mais de R$ 478 milhões em CDBs aplicados no banco e quase metade desse valor foi provisionado em balanço. Após o pedido de recuperação, a IG4, gestora especializada em recuperação de empresas, fez uma proposta de R$ 500 milhões para socorrer a rede oncológica. A Folha apurou com pessoas com conhecimento do assunto que o valor em debêntures está condicionado a um acordo com grandes acionistas para transferência do controle da companhia, por meio de contratos de usufruto de ações. Caso a operação seja bem-sucedida, a IG4 deve repetir um modelo já adotado em outros negócios, com a nomeação de executivos para o conselho de administração e para a direção da companhia. A IG4 está envolvida hoje nos dois maiores processos de recuperação extrajudicial do país, Braskem e Raízen.

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