Toda vez que dizemos que algo foi uma odisseia, queremos nos referir a uma jornada longa, cheia de desafios e imprevistos. Pode ser um trânsito maluco na hora de voltar da escola, a busca por um gatinho que fugiu de casa ou uma viagem em que tudo deu errado. O termo vem de "Odisseia", que é um poema da Grécia Antiga que narra as aventuras de um rei chamado Odisseu (também conhecido como Ulisses). Tudo o que o herói da história quer é voltar para casa depois de dez anos lutando numa guerra, a Guerra de Troia. Só que Odisseu enfrenta tantos percalços no caminho que só consegue botar os pés de volta no seu palácio 20 anos depois de ter partido, quando tudo já não é mais o mesmo. Até seu filho, Telêmaco, que era um bebê quando ele partiu, virou um homem adulto. Talvez você tenha notado que tem um filme em cartaz chamado "A Odisseia". Pois é, ele é uma adaptação desse poema. Não é bem uma obra para crianças, já que é indicado para maiores de 14 anos. Mas isso não significa que você não possa saber do que se trata. Afinal, essa é uma história tão importante para a cultura que não é exagero dizer que todas as sagas dos dias de hoje, das aventuras de super-heróis até "Star Wars", devem bastante a ela. QUEM INVENTOU ISSO TUDO? Tanto "Odisseia" quanto "A Ilíada", poema que narra o que aconteceu na Guerra de Troia, são atribuídos a um homem chamado Homero, que teria vivido 900 anos antes de Cristo. Não se sabe se ele existiu. A tese mais aceita é que essas histórias eram passadas de geração em geração, declamadas em banquetes e outras festas por pessoas conhecidas como aedos. Eles decoravam os versos e cantavam. Mas não se sabe como essa tradição oral foi parar nos textos escritos que hoje temos em mãos. UM PLANO INFALÍVEL A trama acompanha a jornada de Odisseu. Durante a tal guerra ele foi o sujeito que teve a ideia que garantiu vitória aos seus companheiros gregos: esconder um monte de soldados dentro de um cavalo de madeira e oferecê-lo aos troianos, inimigos de seu povo. Sem desconfiar de nada, o povo de Troia aceita o regalo e o transporta para dentro das muralhas de sua cidade. Na calada da noite, os soldados saem de dentro dali e rendem seus adversários —daí a expressão "presente de grego". DEUSES E MONSTROS Sem mais guerra, é hora de navegar de volta para casa. Odisseu vai parar numa ilha onde vive o terrível ciclope Polifemo, gigante de um olho só. O herói consegue cegar a criatura, que vai choramingar para o pai, o deus Poseidon, mestre dos mares. Ele, então, dificulta a viagem de Odisseu, que terá de se safar de seres fantásticos, como as sereias, que cantam para atrair os navegantes e fazê-los naufragar, e a feiticeira Circe, que os transforma em porcos. NÃO CONTAVAM COM A MINHA ASTÚCIA Odisseu é um herói que vence os desafios que aparecem usando não a força física, mas a sua inteligência. Lembra-se que foi ele quem teve a ideia de vencer a Guerra de Troia usando um cavalo de madeira? Pois bem, em seu retorno ele segue usando a criatividade para vencer desafios. Até hoje, quando alguém resolve uma situação complicada usando mais a cabeça do que os músculos, dizemos que agiu com astúcia. ESPERANDO SENTADA Enquanto Odisseu vive suas aventuras, a mulher dele, Penélope, o aguarda em sua terra natal, Ítaca. Como há vários pretendentes que querem se casar com ela, ela promete a eles que só vai decidir quando terminar de tecer um pano. De dia ela costura, mas à noite desfaz o trabalho escondida. Assim consegue ganhar tempo durante anos, provando que é tão astuta quanto o marido dela. TRATE BEM AS VISITAS Em "A Odisseia", o que diferencia os personagens dignos daqueles que não são tão decentes é o fato de que os primeiros recebem bem os estrangeiros, os forasteiros. Ou seja, a história valoriza as pessoas hospitaleiras, que acolhem bem os visitantes, mesmo quando não os conhecem. Em grego antigo, fala-se em "xenia", que nada mais é do que essa generosidade com quem vem de fora e que tem a ver com respeitar a lei de Zeus, a principal divindade daquela mitologia. TÔ QUASE CHEGANDO Além de "xenia", outra ideia presente na obra de Homero é a de "nostos", ou o retorno ao lar. Dessa ideia de retorno nasceu, muitos séculos depois, a palavra "nostalgia", usada para falar da saudade de casa ou de um tempo que passou. Como Odisseu consegue chegar em casa só muitos anos depois de ter partido, ele percebe que tudo à sua volta mudou, até ele mesmo. É uma sensação meio triste, muitas vezes. Essa nostalgia é tão importante que está presente em muitos livros, filmes e letras de música. SÓ PARA BAIXINHOS Quem se interessar pela aventura de Odisseu pode ler adaptações infantis, já que o poema original pode ser um pouco difícil para que crianças compreendam. No livro "Ruth Rocha conta a Odisseia", da editora Salamandra, a famosa autora conta a história de um jeito bem fácil de entender. Tem também "A Odisseia de Homero Adaptada para Jovens", da editora Claro Enigma, que conta com várias ilustrações. Existem muitas outras versões. Vale a pena conhecer essa história para entender por que ela inspirou tantas outras.
'Odisseia' � um filme para adultos, mas crian�as podem conhecer a hist�ria
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