'Oce�nico' cruza ci�ncia, crime organizado e pol�tica em drama sobre alcoolismo

'Oce�nico' cruza ci�ncia, crime organizado e pol�tica em drama sobre alcoolismo

Uma promissora pesquisa científica brasileira que busca uma solução para a dependência do álcool é colocada em risco por interesses comerciais suspeitos. É isso o que conduz o longa "Oceânico", do cineasta Guilherme Coelho, que incluiu na bancada de trabalho pitadas de psicodelia, de política e de crítica social. Gravada no Rio de Janeiro, com fotografia e arte marcantes de Flora Dias e Ana Paula Cardoso, a trama tem Ana Carbatti como protagonista. Ela vive Adyr, uma neurocientista que tenta proteger de investidas gananciosas os resultados de seu grupo de estudos. Para isso, vai passar por uma maratona de enfrentamentos contra violência, corrupção, machismo, conflitos familiares, crime organizado e racismo. Coelho afirma que a profusão de conflitos é para marcar que o público influencia o privado. "Quis fazer um drama familiar umbilicalmente conectado ao clima político brasileiro. O transtorno por uso de álcool é uma pandemia negligenciada que vitima 3 milhões de pessoas por ano, mas, no Brasil, essa crise de saúde não acontece em um vácuo. Ela se cruza com a expansão das milícias na zona norte do Rio de Janeiro, a privatização da saúde pública e a violência política", afirma o cineasta. "Adyr é uma mulher negra e cientista enfrentando forças paramilitares e conservadoras, em uma trajetória que ecoa os riscos reais enfrentados por vozes que desafiam o autoritarismo, muitas das quais foram assassinadas." Todo o núcleo principal do filme é formado por atores negros. Caio Cabral, filho da pesquisadora e repleto de questões da juventude e dramas familiares; Tay O’hanna, especialista em dados científicos; e Pedro Guimarães, do grupo de pesquisa. Durante a trama, em meio aos acontecimentos entre a defesa e o desenvolvimento da pesquisa —que tem como base o uso de ayahuasca— somos surpreendidos por aparições oníricas de João, marido de Adyr, morto pelo abuso de álcool. O personagem é vivido pelo cientista Sidarta Ribeiro, que também deu consultoria técnica para o filme. "A presença do Sidarta é uma sorte. Ele é uma referência da neurociência no mundo e um grande comunicador e defensor da liberdade científica no Brasil." O aconselhamento do especialista, ao lado de Dráulio Araújo e Fernanda Palhano, do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, foi o que possibilitou a exploração de imagens de exames cerebrais presentes no filme. "Sou fascinado pelo cérebro. É nele que nos tornamos quem somos, onde a linguagem, as emoções e a sobrevivência acontecem por meio de reações químicas e disparos elétricos. Achei que essa seria uma maneira de fazer um filme mais subjetivo, dentro da cabeça de uma cientista." O título do filme, "Oceânico", deriva de um conceito cunhado pelo escritor francês Romain Rolland em carta enviada, em 1927, ao fundador da psicanálise, Sigmund Freud. Nela, Rolland descreve o "sentimento oceânico", uma sensação de eternidade e de comunhão com o mundo. A passagem em que o título é explorado na trama é uma das mais bonitas dos 95 minutos de exibição, com uma celebração da amizade, do sentimento de união e do fazer pelo outro. Mas são os momentos de tensão que dominam o filme, com a pesquisadora vivendo o tempo todo no limite entre concluir o seu trabalho e enfrentar as ameaças. A interferência nas descobertas de Adyr e a tentativa de apropriação delas chegam a ser perturbadoras, incluindo a ocorrência de vários atos criminosos. "Oceânico" é um enorme convite ao espectador para refletir a respeito das implicações da produção científica brasileira de ponta e suas fragilidades, como lucro, interferência política e poder de organizações criminosas.

Original Source

Read the full article at Www1 →

KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.