A Polícia Civil realizou nesta segunda-feira (21) oitivas relacionadas à investigação da morte da estudante Isabelle Caracristi, 22, encontrada morta no pátio de um condomínio em Fortaleza (CE) no dia 13 de setembro. O caso ganhou repercussão nacional após a mãe de Isabelle cobrar respostas em vídeo divulgado nas redes sociais. O namorado de Isabelle, João Munhoz Neto, ainda não foi localizado. A Polícia Civil ainda não disse se ele é considerado suspeito e não soube dizer se ele tem defesa constituída. Segundo perícia, a morte foi causada por politraumatismo, mas ainda não há informações oficiais sobre as linhas de investigação e a dinâmica do ocorrido. Confira o que se sabe sobre o caso: O QUE ACONTECEU Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada morta no pátio do condomínio La Piazza, na noite de 13 de setembro. Ela morava no local com o namorado e a família dele. A SSPDS (Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará) calcula que a morte da estudante ocorreu por volta das 20h40. O caso teve repercussão após a mãe de Isabelle, Isorlanda Caracristi, divulgar um vídeo na sexta-feira (18). Narrando o ocorrido e cobrando respostas. Ela diz que não foi procurada pela família de João Munhoz, que também não compareceu ao velório. QUEM ERA A VÍTIMA Isabelle Caracristi era estudante de direito. Ela havia começado um estágio em um escritório de advocacia, onde conheceu João, com quem iniciou um namoro pouco depois, segundo relato da mãe. A jovem passou a morar com o namorado e com familiares dele em um condomínio no bairro de Aldeota, em Fortaleza. A mãe, no vídeo que viralizou, definiu a filha como uma "menina linda, jovem, cheia de sonhos, falava muito bem, escrevia muito bem e sonhava em ser uma grande advogada, uma advogada criminalista". Segundo a direção do escritório de advocacia em que a jovem estagiou, ela integrou a equipe por aproximadamente 20 dias, do final de julho ao início de agosto, quando solicitou desligamento por razões de ordem pessoal. "Posteriormente, o Sr. João Munhoz Neto também deixou de prestar serviços ao escritório", diz trecho da nota. O QUE ACONTECEU ANTES DA MORTE Isabelle havia passado parte do fim de semana na casa da mãe. No domingo, disse que iria a uma missa e a uma procissão com o namorado e familiares dele. Por volta das 19h, enviou mensagens para a mãe, incluindo uma em que escreveu "Mãe, eu te amo". A mãe não conseguiu mais entrar em contato com a filha, que costumava mandar mensagem antes de ir dormir. A jovem havia passado o fim de semana com torcicolo e iria tomar um relaxante muscular naquele domingo, disse a mãe. "Eu achei estranho, mas disse 'ela tomou o relaxante muscular e deve ter dormindo'", conta ela. QUANDO A FAMÍLIA SOUBE Isorlanda continuou sem receber mensagens da filha ao longo da noite e na manhã do dia seguinte. Ela diz que, ao tentar falar com João Munhoz, percebeu que estava bloqueada. "Ele não me atendeu, não visualizou minha mensagem. E aí eu percebi, para minha surpresa, que estava bloqueada. Fui tentar pelo Instagram dele, bloqueada. No outro Instagram pessoal, bloqueada. Aí eu me desesperei", diz. A mulher foi até o condomínio, onde foi avisada pela síndica que a filha havia morrido na noite anterior. "Vocês não querem saber o que é isso, não. A dor que eu senti. É como se estivessem rasgando todo o meu corpo", afirmou Isorlanda. O QUE A PERÍCIA JÁ DESCOBRIU De acordo com a Pefoce (Perícia Forense do Estado do Ceará), o laudo cadavérico de Isabelle apontou como causa da morte politraumatismo, com lesões no corpo compatíveis com impacto contra o solo. Exames toxicológicos deram resultado negativo. Uma equipe esteve no local da ocorrência novamente no último domingo (20). "Foram feitas perícias complementares em áreas comuns do condomínio e no apartamento onde Isabelle morava com o namorado e a família dele", disse a SSPDS. Também houve nova coleta de vestígios de DNA e uso de drone para registrar imagens do local. O QUE AS CÂMERAS MOSTRAM A secretaria também afirmou que a Polícia Civil conseguiu, por meio das análises das câmeras do condomínio, a cronologia dos deslocamentos da estudante e do namorado. "As imagens das câmeras continuam sendo analisadas", disse a pasta. Segundo imagens das câmeras do obtidas pelo jornal Diário do Nordeste, João Munhoz e a mãe deixaram o prédio enquanto Isabelle ainda estava no local. Em seguida, a estudante foi vista sozinha no elevador, seguindo para o 23º andar. O namorado teria retornado ao condomínio às 22h48, depois do horário estimado da morte. COMO ESTÁ A INVESTIGAÇÃO Até a noite do domingo, a Polícia Civil já havia colhido o depoimento de quatro pessoas. Outras quatro estavam agendadas para esta segunda-feira (21). Segundo Rafael Magalhães, irmão de Isabelle, a mãe deles era uma das pessoas a ser ouvida. O aparelho celular da estudante foi periciado e o conteúdo está sendo analisado, segundo a secretaria. A pasta ainda não divulgou quais seriam as linhas de investigação. "A SSPDS-CE frisa que somente após a finalização dos trabalhos será possível concluir a dinâmica dos fatos que influenciaram a morte", declara. A secretaria não informou quem faz a defesa de João Munhoz Neto.
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