O Partido Democrata foi vencedor nas eleições de meio mandato nos Estados Unidos. O pleito renova a composição da Câmara e do Senado no país e redefine o equilíbrio de forças nos dois últimos anos do mandato de Donald Trump. O resultado tem também desdobramentos para o setor cultural. Hollywood quer aprovar na Câmara um pacote de incentivo fiscal. O projeto é apoiado por republicanos e democratas, e por isso não é ameaçado pela mudança de forças no parlamento. Mas a reviravolta prejudica o ritmo das negociações.Segundo a revista Variety, o comportamento oscilante de Trump e sua preocupação com a derrota pode comprometer a votação da proposta. Em um comício recente, o presidente ironizou o assédio de executivos do setor audiovisual ao pedir incentivos fiscais, e deixou em aberto se apoiará a medida. Ainda de acordo com a revista, é possível que os republicanos no Congresso priorizem a sua reorganização interna, enquanto os democratas podem preferir adiar acordos para a próxima legislatura, quando terão maior margem de manobra. Embora o Partido Democrata seja historicamente mais alinhado aos interesses de Hollywood, esperar pela nova composição do Congresso exigiria reiniciar o trâmite do zero, perdendo 10 dos 31 republicanos que apoiam a proposta e diluindo o senso de urgência atual. Embora a vitória democrata no Congresso não altere a composição de maioria da Comissão Federal de Comunicações, a FCC, órgão responsável por regulamentar as telecomunicações nos Estados Unidos, a agência passará por uma vigilância legislativa mais rígida.A imprensa americana vem noticiando que o atual presidente daa FCC, Brendan Carr, aliado de Trump, vem pressionando emissoras de TV a silenciarem apresentadores críticos ao presidente. Visto pelos democratas como um braço da gestão Trump para calar opiniões divergentes, o órgão deve se tornar alvo de convocações e investigações formais. O governo Trump ainda extinguiu a Corporation for Public Broadcasting (CPB), agência responsável por distribuir verba federal as emissoras públicas do país, acusadas de ter viés progressista pelos conservadores. É possível que a nova maioria democrata na Câmera crie novos incentivos a essas mídias. Por fim, os democratas terão controle sobre a Comissão de Fiscalização da Câmara, responsável por fiscalizar o Poder Executivo, agências federais e o uso de recursos públicos. É possível, segundo a Variety, que sejam abertas investigações envolvendo o setor de comunicação nos últimos anos, alvo de tentativas de censura por parte de Trump. Entram no radar, por exemplo, acordos de distribuição de documentários sobre a família presidencial, como aconteceu com "Melania" em janeiro, e indenizações pagas por emissoras e plataformas de tecnologia a Trump, como fez a CBS no ano passado. A tratativa da Skydance Paramount com a Casa Branca para receber apoio em relação a compra da Warner Bros. também estará sob escrutínio. Todas essas apurações poderiam trazer a dinâmica entre os grandes conglomerados de mídia e a presidência.
O que muda para Hollywood com a vit�ria do Partido Democrata nos Estados Unidos
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