Esta é a edição da newsletter Todas. Quer recebê-la toda semana no seu email? Inscreva-se abaixo: Todas Discussões, notícias e reflexões pensadas para mulheres Em uma semana, iremos às urnas para decidir se o próximo presidente será Lula (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL). Várias coisas ficaram ausentes do debate eleitoral deste ano. Destaco duas: mudanças climáticas e políticas para mulheres. Na verdade, as propostas ficaram ausentes nesta eleição, né? Sem debates na televisão até agora e com campanhas focadas na rejeição dos adversários —e no escândalo do Banco Master—, os programas ficaram esquecidos. Mas o que propõem Lula e Flávio Bolsonaro para as brasileiras? Fomos aos documentos que as campanhas registraram no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para responder: 1. Violência contra a mulher O programa de Lula propõe seguir as políticas públicas já existentes, como o Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio e a ampliação da rede de proteção, incluindo Casas da Mulher Brasileira, Centros de Referência e Salas Lilás. Também prevê medidas de monitoramento de agressores. Flávio apresenta um viés tecnológico: quer criar uma inteligência artificial, a ClarIA, que apoiaria a mulher em denúncias. Também promete um aplicativo da Central da Mulher, que reuniria serviços de denúncia, acolhimento e orientação jurídica. Ele defende a castração química de estupradores, medida altamente controversa no meio médico e em serviços de prevenção à violência sexual. 2. Trabalho e renda Os dois candidatos associam autonomia feminina à independência financeira. Lula propõe medidas de igualdade salarial, qualificação profissional, crédito e empreendedorismo, além de políticas para ampliar a participação das mulheres na ciência. Flávio concentra sua agenda em capacitação, inserção no mercado de trabalho, bônus de internet, empreendedorismo e acesso a crédito, por meio de iniciativas como a Escola Brasil por Elas. 3. Maternidade e cuidado Lula coloca a divisão das responsabilidades de cuidado entre Estado, sociedade, homens e mulheres no centro dessa agenda e prevê o fortalecimento da Política Nacional de Cuidados, criada durante a gestão petista. O programa cita diretamente as Cuidotecas, espaços para crianças de 3 a 12 anos que funcionem no contraturno das creches para permitir o trabalho de pais e responsáveis no período noturno, por exemplo. Flávio relaciona cuidado à autonomia econômica: propõe ampliar creches em período integral e criar voucher para famílias que não encontrem vaga na rede pública, além de uma Rede Nacional de Cuidado. 4. Aborto e direitos reprodutivos Nenhum dos dois candidatos menciona o aborto. O programa de Lula fala sobre saúde sexual e reprodutiva e prevê a distribuição gratuita pelo SUS de métodos contraceptivos de longa duração —citando como exemplo o Implanon. O programa de Flávio cita ampliação de exames preventivos e atendimento para câncer, menopausa e endometriose (que também aparecem nas propostas petistas explicitamente), mas não fala em direitos sexuais ou reprodutivos, ou em acesso a métodos contraceptivos. Durante o governo de Jair Bolsonaro, o Ministério da Saúde editou portarias para dificultar o acesso ao aborto legal, estabelecendo exigência de Boletim de Ocorrência em caso de estupro, por exemplo. 5. Enquadramento A principal diferença entre os dois programas é o enquadramento das políticas para mulheres, alinhado ao espectro político dos candidatos. O documento de Lula menciona o combate ao machismo e a igualdade de gênero, expressões ausentes no programa de Flávio Bolsonaro —que prefere enquadrar as medidas para mulheres como "fortalecimento da família". As medidas que foram analisadas aqui são apenas aquelas direcionadas explicitamente pelas campanhas às mulheres, mas o gênero é uma questão transversal. Todas as políticas de um governo atravessam as mulheres de alguma forma, da jornada de trabalho aos programas de benefício social, especialmente em um país onde a maior parte das famílias é chefiada por uma mulher. Uma mulher para conhecer Navi Pillay (1941) A jurista sul-africana de origem indiana tâmil recebeu na semana passada o Prêmio Nobel da Paz. Ela se tornou a 21ª mulher a conquistar a honraria. Nascida em Durban durante o apartheid, começou a atuar como advogada em 1967, defendendo ativistas antiapartheid e presos políticos. Em 1995, tornou-se a primeira mulher negra nomeada para a Alta Corte da África do Sul e integrou o Tribunal Penal Internacional para Ruanda, que julgou responsáveis pelo genocídio de 1994. Ela presidiu a corte de 1999 até 2003. Foi um julgamento do tribunal que estabeleceu que estupro e violência sexual podem constituir atos de genocídio. De 2021 a 2025, presidiu uma comissão independente da ONU que investigou a situação nos territórios palestinos e em Israel e, em 2025, concluiu que Israel havia cometido genocídio em Gaza —acusação rejeitada pelo governo israelense. Ao conceder o Nobel da Paz de 2026, o Comitê Norueguês destacou sua atuação em defesa do direito internacional e da responsabilização por crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio.
O que Lula e Fl�vio Bolsonaro prop�em para as mulheres
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