Por mais que alguns insistam em negar, as eleições de 2026 acabaram. Agora deveria ser a hora de planejar os próximos mandatos, construindo caminhos para cumprir as promessas de campanha. Mas fica difícil, tanto para os escolhidos quanto para a população, focar na construção do país que se quer quando os acontecimentos políticos seguem ocupando a maior parte do noticiário. Enquanto o candidato derrotado segue os passos do pai, condenado por incitar seguidores a questionar os resultados das eleições, não há espaço suficiente no debate público para discutir os problemas sociais concretos. Quanto de energia sobra para construir políticas públicas mais efetivas se ainda há quem ameace costumeiramente a democracia? Há muito o que fazer. Em julho deste ano, a ONU confirmou que o Brasil permanece fora do Mapa da Fome. A insegurança alimentar grave caiu para 0,6%, o que demonstra o resultado de políticas capazes de melhorar a vida de milhões de pessoas. Mas isso não significa que a dificuldade de acesso à alimentação adequada foi superada. Segundo o IBGE, um quarto dos domicílios brasileiros ainda viviam algum grau de insegurança alimentar em 2024. Na educação, a lista de desafios é extensa. Lula prometeu ampliar o Pé-de-Meia, programa destinado a estudantes do ensino médio público, incluindo a sua universalização e estudantes universitários. O objetivo de reduzir a evasão é legítimo, mas ainda é preciso discutir como financiar essa expansão sem comprometer outras ações em prol do ensino. É preciso assegurar que os estudantes encontrem escolas com boas condições de funcionamento, professores valorizados e preparados, currículos consistentes e oportunidades reais de aprendizagem. O novo Plano Nacional de Educação (PNE), sancionado em abril de 2026, oferece uma agenda para enfrentar parte desses problemas na próxima década. Seus objetivos envolvem desde a ampliação do acesso à educação infantil até a melhoria da aprendizagem no ensino médio e a redução das desigualdades educacionais. Entre as prioridades estão expandir a educação em tempo integral, valorizar os profissionais da educação, melhorar a aprendizagem em matemática e assegurar que a origem social ou a raça não determinem as oportunidades de cada estudante. O PNE é só um exemplo das decisões que exigirão acompanhamento nos próximos anos. O mesmo vale para o combate à fome, o fortalecimento do SUS, a geração de empregos, a redução das desigualdades, entre outros. Esses problemas apenas serão resolvidos com políticas bem desenhadas, financiamento adequado e capacidade de execução e avaliação, com correções de rota sempre que as evidências mostrarem que algo não está funcionando. Nada disso poderá ser alcançado sem uma dedicação consistente do poder público, que precisa se comprometer com políticas de longo prazo. Para a população, resta manter o engajamento político para além do período eleitoral. Fiscalizar gastos e avaliar resultados são tarefas permanentes da cidadania. O país de que precisamos será construído pela capacidade de exigir que as decisões públicas respondam aos problemas reais da população, em vez de alimentar disputas que nos impedem de avançar. Colunas Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
O que fica fora do debate pol�tico
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