"Eles vestiam um uniforme. Faziam parte de algo. Todas aquelas ansiedades da vida moderna, o fascismo resolve isso", diz Marla Stone, professora de História no Occidental College. Você já deve ter ouvido a palavra fascista muitas vezes. Mas você sabe o que ela realmente significa? "O termo [fascista] é usado como insulto contra qualquer pessoa autoritária, quando, na realidade, o fascismo é uma ideologia política muito específica que surgiu na Itália sob Benito Mussolini", afirma Stone. O termo fascismo vem do latim "fasces", um feixe de varas amarradas ao redor de um machado que era símbolo de poder na Roma Antiga. E o fascismo como movimento político surgiu na Itália depois da Primeira Guerra Mundial. A Itália tinha vencido a guerra, mas não ficou com a sensação de vitória. "À Itália foram prometidas concessões territoriais. Essas promessas não foram cumpridas. E assim surgiu um sentimento de ressentimento em relação à comunidade internacional. E então 2,5 milhões de soldados desmobilizados retornaram a um país em crise econômica", diz a professora. E foi nesse cenário de crise que surgiu Benito Mussolini – um ex-socialista que se tornou um nacionalista radical. "Em março de 1919, ele sobe em um caixote e declara que a nova categoria de pessoas encarregadas da nação deveria ser formada por soldados e trabalhadores. E naquele dia proclama a fundação dos primeiros grupos de combate fascistas", conta Stone. Ele angariou apoio entre veteranos de guerra, nacionalistas, donos de fábricas e proprietários de terras que temiam uma revolução socialista. Também surgiram grupos paramilitares conhecidos como Camisas Negras, que passaram a usar a violência para atacar adversários políticos. Os Camisas Negras de Mussolini marcharam sobre Roma em 1922. O rei da Itália não resistiu e nomeou Mussolini primeiro-ministro. Mas o fascismo não se mantém no poder apenas por meio da violência. "Há medo no fascismo. Certamente existem polícia secreta e campos de concentração. Mas também há muitas concessões oferecidas à população para conquistar apoio ao regime. Há assistência médica, programas sociais e colônias de férias para crianças", afirma Stone. O sucesso do movimento fascista italiano serviu de modelo para Adolf Hitler, na Alemanha. "A ideia de que é preciso mobilizar as massas para apoiar uma ditadura, a ideia de que as pessoas rejeitam voluntariamente a democracia em favor de uma ditadura é a característica singular do fascismo." E mais do que uma ideologia política, o fascismo é uma visão de como a sociedade deve ser organizada. "O fascismo também possui uma ideologia de gênero baseada em uma figura hipermasculina de guerreiro, que sai pelo mundo para proteger o Estado-nação. Às mulheres cabe proteger o lar e criar filhos para esse projeto nacional de grandeza", diz a especialista. Outro elemento central do fascismo é um inimigo. Para Mussolini, socialistas e comunistas estavam destruindo a nação. E à medida que sua aliança com Hitler se aprofundou, o fascismo italiano passou a adotar políticas antissemitas e propaganda inspiradas no nazismo. Mas, para além de um inimigo interno, regimes fascistas tendem a avançar em direção à expansão territorial e à guerra. "É preciso manter a população em constante mobilização. É preciso continuar dizendo que há um inimigo. Caso contrário, as pessoas começam a perceber as falhas de todo o sistema." Mesmo com o fim da Segunda Guerra Mundial, o fascismo continuou existindo. E suas ideias sobreviveram até hoje na forma do neofascismo. "Eles mobilizam símbolos, memórias, canções. Neonazistas contemporâneos estão profundamente ligados a políticas anti-imigração e de supremacia branca", conclui Stone.
O que � fascismo e como ele surgiu; veja v�deo
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