A segunda-feira (5) seguinte ao primeiro turno das eleições entrou para a história dos mercados. Logo na abertura do mercado brasileiro, o real se valorizou 4,5%, com o dólar abaixo dos R$ 5. A Bolsa subiu 8% e superou, pela primeira vez, os 200 mil pontos. Os juros futuros recuaram 110 pontos-base. As ações do Banco do Brasil dispararam 21%, e o EWZ, principal porta de entrada do investidor estrangeiro na Bolsa brasileira, avançou 12% em Nova York. O que esses preços estão dizendo? Preço nada mais é do que resultado de compras e vendas. Quando sobe dessa forma, revela uma demanda por Brasil muito maior do que a que existia antes da apuração. Um movimento dessa magnitude não reflete a certeza de um resultado, que segue em aberto até 25 de outubro. Reflete o valor elevado que os investidores atribuem a um cenário capaz de colocar as contas públicas em ordem e, com elas, a economia como um todo. Variações assim mostram onde estamos e quanto podemos avançar se a agenda fiscal for, de fato, abraçada. Um prêmio de risco muito alto funciona como uma mola comprimida: basta a hipótese de mudança para destravar muito valor, porque aumenta a chance de um ajuste nas contas. Não por acaso, os maiores ganhos vieram dos ativos mais sensíveis ao risco fiscal: os títulos prefixados do Tesouro, as estatais e a Bolsa como um todo. Todos se beneficiam, em larga escala, da queda dos juros. O ponto de partida explica a figura da mola. A dívida bruta do país vem crescendo de forma acelerada e chegou a 82,9% do PIB (Produto Interno Bruto) em agosto, mais de dez pontos percentuais acima do nível do início do atual mandato. Juros reais elevados por anos foram a forma que os investidores encontraram para cobrar por esse crescimento acelerado e pela falta de previsibilidade, depois que a regra fiscal perdeu a capacidade de ancorar expectativas. Uma queda de 110 pontos-base em um único dia mostra quanto desse prêmio é fiscal, e não monetário. O diagnóstico não é novo e vem sendo repetido há tempos. O decisivo é a capacidade de liderar essa agenda, ou seja, se o próximo governo apresentará um plano crível, capaz de ser aprovado no Congresso e executado. Estima-se que o ajuste necessário para estabilizar a dívida seja de cerca de 2% do PIB, qualquer que seja o vencedor. Por isso, ler o rali apenas como aposta eleitoral é enxergar só metade da história. Todo o ganho já embutido nos preços depende de medidas que ainda precisam ser propostas, aprovadas e executadas. Daí o papel central da composição do novo Congresso. Há outra informação embutida nesse movimento. Se os preços reagem tanto à possibilidade de uma possível nova trajetória fiscal, é porque o prêmio cobrado até sexta-feira (2) refletia, em boa medida, as incertezas acumuladas sobre as contas públicas. Os preços desta segunda (5) dizem mais sobre o diagnóstico do presente do que sobre o futuro. Esse recado vale para todos que pensam no futuro da política fiscal do país. Os preços mostram quanto valor pode ser destravado a partir de uma boa gestão das contas e uma âncora fiscal crível. O mercado não sabe quem vencerá. O que ele diz é que há muito valor associado a uma política fiscal sustentável e previsível. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
O que dizem os pre�os dos ativos sobre o primeiro turno
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