O que � a gravidade, que faz as coisas ca�rem

O que � a gravidade, que faz as coisas ca�rem

Chute uma bola para o alto e, mesmo que tenha sido um chutão, uma hora ela vai cair. Pule e você não sairá flutuando, mas logo voltará ao chão. Até os aviões precisam manter ligadas poderosas turbinas para se manterem por um tempo no ar, ou então se esborracham no solo. Essa força invisível que puxa as coisas para baixo se chama gravidade, e ela inquieta as pessoas há milhares de anos. Raul Abramo, professor de física na Universidade de São Paulo que estuda o espaço sideral, afirma que ela está em tudo, até mesmo em você. Para entender como ela funciona, imagine uma cama elástica. Ao colocar algo leve sobre o centro dela, como uma folha de papel, ela mal se mexe. Agora, caso se coloque algo mais pesado —por exemplo, se você subir no meio dela— o tecido vai se esticar para baixo. Coloque uma bolinha de pingue-pongue na beirada e ela sairá rodando em direção ao seu pé. A gravidade funciona de forma parecida. O mundo é como um grande tecido de cama elástica. Coisas levinhas, como você, seu cachorro e até um carro (que é pequenininho se comparado, por exemplo, à Lua), quase não mexem com esse tecido e, por isso, não conseguem puxar outras coisas em sua direção. Já as coisas muito pesadas, que têm muita massa, entortam ele, mudando a trajetória das coisas que estão perto, que caem em sua direção. Isso porque a gravidade é uma força muito fraquinha, mas que aumenta conforme o peso das coisas. "Como ela é uma força muito pequena, é difícil você medir, por exemplo, a atração de um saco de farinha e uma bola de boliche. Mas quando você põe muita matéria junta, como é o caso de um planeta inteiro, ela fica grande e a gente consegue sentir com os nossos próprios corpos", explica o professor. É o que acontece na Terra. "Essa força é a soma da gravidade de todos os grãozinhos de poeira, todas as rochas, todas as montanhas, todos os oceanos —tudo isso junto puxa a gente para baixo e mantém a gente grudadinho ao nosso planeta." Há muito tempo a humanidade tenta entender essa força misteriosa. Ela já preocupava Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.), um importante pensador, há quase 2.000 anos. Para ele, tudo o que existia era feito de água, terra, fogo e ar. Cada elemento tinha uma posição natural no mundo. Coisas feitas de terra seriam atraídas para baixo porque o lugar natural da terra era o centro do planeta. Quase 2.000 anos depois, o italiano Galileu Galilei (1564 - 1642) mostrou que, ao contrário do que pensava Aristóteles, a massa dos objetos não interfere na gravidade. Se não fosse o ar atrapalhando, ao se arremessar um carro e uma folha de papel de uma mesma altura, ambos atingiriam o chão ao mesmo tempo. O britânico Isaac Newton (1643 -1727) entrou na discussão logo em seguida e se tornou o nome em que todos pensam quando pensam em gravidade. Uma lenda popular diz que ele começou a dar atenção ao assunto quando, sentado sob uma macieira, uma maçã se desprendeu de um galho e despencou em sua cabeça. Ninguém sabe se a história é verdade. O que é fato é que Newton ajudou a explicar por que as coisas caem em direção ao chão. Mais importante ainda, foi ele quem mostrou que a força que faz você cair quando pula é a mesma que faz a Lua girar em torno da Terra e a Terra girar em torno do Sol. O próximo grande contribuidor dessa conversa foi o físico alemão Albert Einstein (1879 - 1955). Foi ele quem disse que a gravidade é a tal distorção no espaço-tempo. Para terminar, mais uma curiosidade. Talvez você já tenha ouvido falar dos buracos negros. Foi a partir das ideias de Einstein que eles foram primeiro imaginados e, ao que tudo indica, eles existem mesmo. Acredita-se que um buraco negro nada mais é que um ponto que acumulou muita matéria e ficou tão pesado que a gravidade ficou mais forte do que todas as outras forças, inclusive as que mantêm juntas as pecinhas que formam as coisas, como os átomos e as moléculas. Tudo se junta em um pequeno ponto, chamado singularidade, e tudo que passa perto demais do buraco negro é atraído para lá também. A gravidade é tão grande que nem a luz consegue escapar. Como as pessoas precisam de luz para ver as coisas, tudo que vemos ao olhar para lá é um grande buraco escuro —daí o nome.

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