O pai de Dolly Parton produzia u�sque clandestino, o moonshine

O pai de Dolly Parton produzia u�sque clandestino, o moonshine

Em "Honky-Tonk Songs", Dolly Parton canta: "Bartender, me dá uma bebida bem forte/e não pare de servir até eu parar de pensar". No refrão da música de 1998, já na fase madura da cantora, atriz e compositora, ela se pergunta por que as mulheres não gravam mais canções "honky-tonk". Está se referindo ao gênero musical, um country-blues dançante, cujas letras falam muito de corações partidos e da necessidade de afogar a dor no uísque. (Soa familiar?) O termo surgiu há cerca de 150 anos. No começo, denotava os bares de má fama do sul dos EUA, com farta distribuição de bebidas, muita dança no salão e uma certa dose de prostituição. Daí que eram frequentados mais por homens, o que talvez leve à pergunta de Parton. Rainha de Nashville ("cidade de bebedores, com uma questão musical", brincou), Dolly cantou também a dor existencial. Em "Hard Candy Christmas", a personagem compara uma fase difícil da vida com os Natais miseráveis da infância, em que só ganhava um doce (candy), e diz: "Talvez eu me embriague de vinho de maçã" (mais forte que cidra e não carbonatado). Faz parte da trilha do filme "A Melhor Casa Suspeita do Texas" (1982), estrelado por ela. Na genial "9 to 5", por sua vez, canta a "dor trabalhista". A canção, comentário bem-humorado sobre a exploração do trabalho, foi usada em campanhas progressistas de mulheres, ainda que a cantora sempre tenha se declarado neutra em política (nem feminista se dizia, mas era, claro). A música aparece na comédia "Como Eliminar Seu Chefe" (1980), em que ela contracena com Jane Fonda e Lily Tomlin. Começa descrevendo o que parece ser uma ressaca, consequência de um happy hour estendido —e segue falando do chefe injusto. Talvez para evitar dores de cabeça, não era de beber muito, mas gostava de enaltecer o uísque de sua terra, Tennessee. O uísque e o moonshine, que seu pai produzia para sustentar a família, junto com o cultivo de tabaco. Moonshine era como se chamava qualquer destilado clandestino —o mais comum era uísque feito à base de milho, transparente. Na canção "Applejack", Parton conta de um velho que vivia perto de um pomar de maçãs, numa cabana rústica. Juntos, bebiam o applejack (destilado de maçã, primo do Calvados) que ele fazia, tocavam banjo e cantavam. Dá a impressão de que está falando carinhosamente de seu pai. Muito parecida com a cantora, a sobrinha Danielle Parton montou uma destilaria de moonshine —muito melhor equipada que o alambique capenga do avô. "Está no meu sangue". O moonshine de hoje, legalizado, virou uma espécie de uísque artesanal, ou "autêntico", mais ou menos como os atuais speakeasies recriam o ambiente dos bares clandestinos da época da Lei Seca. Autora de cerca de 3.000 canções, Parton também seguiu o "sangue", e fundou a Dolly Wines, empresa de vinhos. Nas garrafas, a imagem de borboletas, que remetem à sua infância nas Smoky Mountains do Tennessee. A seguir, uma versão do penicillin pensada para ela. Hello, Dolly 60 ml de moonshine (na falta, use bourbon) 22,5 ml de suco de limão-siciliano 15 ml de xarope de gengibre e mel (misture duas partes de mel com gengibre em pó em uma parte de água quente) 5 ml de mezcal Bata os ingredientes na coqueteleira e coe para um copo old fashioned com gelo. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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