O incumbente joga com as brancas

O incumbente joga com as brancas

No finalzinho da corrida eleitoral para o primeiro turno, o presidente Lula praticou uma série de bondades em um esforço de ganhar a eleição. Se será bem-sucedido ou não, somente as urnas dirão. A lista de medidas é longa: reajuste do programa Bolsa Família; proibição das bets; o programa Desenrola 3; a universalização do programa Pé de Meia para todos os estudantes do ensino médio da rede pública (na versão anterior, eram elegíveis somente os estudantes do Cadastro Único); possível incorporação das canetas emagrecedoras ao SUS; e a suavização dos preços dos combustíveis, com a subvenção do diesel e etanol além da redução de PIS/Cofins sobre a gasolina e etanol. O pacote do parágrafo anterior deve aumentar o gasto em R$ 22,3 bilhões no último trimestre do ano e em R$ 56 bilhões em 2027. O impulso fiscal para o último trimestre será da ordem de 0,6% do PIB trimestral.Esse pacote complementa as medidas anteriormente adotadas: o programa Gás do Povo; tarifa social para a energia elétrica; mudança da tabela do IRPF; o novo empréstimo consignado para trabalhadores celetistas; o segundo Desenrola; elevação do orçamento do programa Minha Casa Minha Vida; além dos programas de crédito Move Brasil Táxi e Aplicativos. A economia já se encontra a plena carga. A taxa de desemprego, nas mínimas históricas, em 5,4%, desde o segundo trimestre de 2026, indica que o mercado de trabalho opera com excesso de demanda sobre a oferta. De fato, a inflação dos itens dos serviços que são intensivos em trabalho tem se elevado. Segundo a prévia da inflação, o IPCA-15, esses itens rodaram nos 12 meses terminados em setembro de 2026 a 7%, ante 6,1% em setembro de 2025. Há sinais de que a inflação de serviços, que se moderou no primeiro semestre de 2026, muito em razão dos efeitos defasados da valorização do real em 2025, começa a se elevar novamente.Ou seja, o impulso fiscal do esforço final de Lula para a reeleição baterá nos últimos três meses em uma economia a plena carga. A economia deve se expandir um pouco mais, mas bem pouco, pois não há muito como crescer mais, e o impacto do impulso fiscal será essencialmente sobre a inflação de serviços. A inflação de bens não deve sentir muito, pois as importações estabelecem limites ao impacto do excesso de demanda sobre os preços. Inflação de bens correndo abaixo da inflação de serviços significa valorização do câmbio real. A indústria continuará a sofrer. Não há muita solução: a prioridade extrema da política econômica em manter o projeto petista de inclusão pelo consumo não deixa muito espaço para a indústria de transformação. O impulso fiscal no final do ano consolida um quadriênio em que o gasto primário real cresceu a 5% ao ano, para uma economia que, a pleno emprego, cresceu 2,7% ao ano. Diferentemente, de 2015 a 2019, o gasto primário real cresceu ao ritmo de 1% ao ano. Evidentemente os juros foram menores. Ou seja, provavelmente a desaceleração que se previa para o quarto trimestre, continuando o processo de desaceleração que segue desde o segundo trimestre do ano, deve sofrer uma reversão. Provavelmente fecharemos o ano com taxas de desemprego nas mínimas e inflação de serviços pressionada. O ajuste ficará para 2027. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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