Após um voo de mais de 24 h, pousei no aeroporto internacional de Pequim às 6h da manhã do último dia 19, uma segunda-feira, para mais uma visita de trabalho à China. A viagem pelas amplas rodovias que ligam o aeroporto ao centro da cidade foi um convite a refletir sobre o quanto o país e a sua capital mudaram nas três décadas que passaram desde a minha primeira visita. A densa poluição atmosférica que cobria Pequim ao final do século passado hoje foi substituída por uma qualidade do ar que, sem ser perfeita, faz inveja a qualquer grande cidade brasileira. As intermináveis quadras de prédios deteriorados e com excesso de ocupação foram varridas por ondas de renovação imobiliária, que produziram largas avenidas e arranha-céus de tirar o fôlego. Os enxames de bicicletas velhas de guerra caoticamente aglomeradas à espera da abertura do semáforo foram agora substituídos por veículos modernos de todos os tipos, majoritariamente elétricos. Por trás dessa prosperidade, propiciada por décadas de crescimento econômico sustentado, está a aposta estratégica das autoridades chinesas na educação e na pesquisa científica e tecnológica como via para o desenvolvimento e para a consolidação da soberania. Lições importantes para um Brasil que busca seu próprio caminho como nação. Faz pouco mais de um ano da minha última vinda aqui, com o objetivo de intensificar a colaboração acadêmica e científica entre o Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) e as melhores instituições de ensino superior e pesquisa da China. Esse esforço já está dando frutos concretos, muito gratificantes, e agora importa consolidar os avanços e ampliar a colaboração, estendendo-a a outros parceiros. Desde agosto deste ano, 12 dos melhores estudantes do Impa Tech, a recém-criada escola de graduação do Impa, realizam um intercâmbio de um semestre letivo em Pequim, como parte dos seus estudos. Para isso contam com financiamento inteiramente privado, além do apoio das instituições chinesas anfitriãs, a Universidade Peking e a Universidade Beihang. Colunas Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha Fundada em 1898, durante a dinastia Qing, a Universidade Peking começou sendo chamada Universidade Imperial de Pequim. Teve um papel marcante na história política e cultural da China e hoje está entre as universidades mais conceituadas do mundo, particularmente em áreas como a matemática, a filosofia, a economia e a medicina. Já a Universidade Beihang foi a primeira instituição de ensino superior criada pela República Popular da China, em 1952. Atualmente, é líder mundial nas áreas de aeronáutica, astronáutica e tecnologias avançadas. Nos dias que passei em Pequim, eu me atualizei sobre os progressos dos estudantes do Impa Tech, conversando com eles e com seus professores chineses. Além dos conhecimentos técnicos que estão adquirindo, a experiência de um intercâmbio internacional, ainda mais em um país tão diverso do nosso, será um trunfo precioso em sua formação. No sábado (24), relaxamos visitando juntos a Grande Muralha da China, outra experiência inesquecível. No dia seguinte, viajei para Shijiazhuang, capital da província de Hebei, onde participo de uma conferência científica e negocio outro acordo de parceria institucional que poderá beneficiar futuros estudantes do Impa. A minha viagem pela China incluirá um total de oito cidades e ainda se estenderá por mais três semanas. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
O Impa na China
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