Na última semana, falei sobre como muitos investidores não conhecem os gestores dos fundos nos quais aplicam. E como isso seria um passo essencial para o amadurecimento do nosso mercado, já que mais de 40% do dinheiro investido no Brasil vai para fundos de investimento e de previdência. Leitores mais atentos reclamaram que eu só apontei o problema, sem indicar uma solução. Fico feliz e honrado pelos comentários tanto no site desta Folha quanto nas redes sociais. A ideia da coluna é mesmo amplificar os debates importantes para tomar conta do seu dinheiro. O ponto essencial de entender na busca de um bom fundo de investimentos é que se você escolheu aplicar nele porque o encontrou no topo de um ranking de rentabilidade, há uma grande chance de se frustrar. Sabe o aviso que aparece nas ofertas de investimento, dizendo que "rentabilidade passada não garante desempenho futuro"? Não é só burocracia. Um estudo publicado em 1998 no Journal of Finance mostrou que investidores mandavam dinheiro de forma desproporcional justamente para quem acabava de aparecer entre os grandes vencedores. O investidor costuma descobrir o fundo depois que ele ficou bom. Essa rentabilidade costuma estar mais ligada ao momento do que à habilidade do gestor. E como a economia vive de ciclos, o que está em alta hoje tem muita chance de cair amanhã. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Por isso, antes de escolher um fundo, você precisa definir qual trabalho quer que ele cumpra na sua estratégia de investimentos. Você quer exposição a um índice específico, como o S&P 500 ou as Small Caps do Brasil? Se for isso, na chamada gestão passiva, além de olhar uma janela longa de tempo para ver se aquele fundo conseguiu acompanhar o índice, é importante ver se ele não cobra taxas demais para fazer um trabalho que outros também fazem. Negociados em Bolsa, os ETFs têm sido uma ótima opção para isso. Se a ideia é aproveitar a gestão ativa como diferencial, com a aplicação do conhecimento da equipe de profissionais da gestora, o questionamento deve ir muito além das taxas. Entre no site da gestora e veja há quanto tempo a atual equipe trabalha em conjunto. Procure no noticiário (um Google já resolve) se há notícias desabonadoras. Olhe, nos gráficos do fundo, os momentos de queda do valor da cota e busque os comunicados feitos (principalmente nas cartas dos gestores) nos momentos anteriores à queda e nos momentos seguintes à recuperação. Os gestores já previam a possibilidade de uma queda acentuada? Identificaram o problema? Mudaram a metodologia de análise de ativos a partir daquilo? O risco que os gestores topam correr, na busca de atingir as metas do fundo, condiz com os riscos que você aceita? Veja bem, dois fundos de renda fixa que entregaram rentabilidade de 110% do CDI nos últimos 12 meses podem ter chegado ao mesmo resultado por caminhos completamente diferentes. Um pode carregar títulos públicos e estar exposto a risco de mudanças na direção da taxa de juros. Outro pode ter comprado dívidas de empresas, com menor liquidez e risco de crédito. O resultado é parecido até uma mudança de cenário, onde o impacto será sentido de forma completamente diferente. A rentabilidade mostra quem ganhou a última corrida, não quem está preparado para a próxima. Os terrenos mudam rápido no Brasil e no mundo. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
O fundo campe�o pode ser o pior para voc�
Full Article
Original Source
Read the full article at Www1 →KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.