O estatismo cultural de direita � um erro

O estatismo cultural de direita � um erro

Você sabe que sou crítica da ala esquerda da política, principalmente por seu estatismo —a crença persistente de que o modo de melhorar as coisas é aprovar mais leis e fazer com que o Estado as imponha a mais pessoas. Meus amigos de esquerda (tenho muitos e os amo) querem um Estado maior, uma esfera de coerção. Não é boa ideia. Mas meus amigos da ala direita (também tenho muitos e os amo) também estão, estes dias, optando pelo estatismo. Como os socialistas e social-democratas, os conservadores e, surpreendentemente, alguns supostos liberais querem que o Estado cuide de assuntos que deveriam ser privados. Assim como a esquerda, eles passaram a clamar sobre a "vontade geral" e a tentar controlar as alavancas do poder que a expressam. A antiga ideia, anterior ao comunismo, ao fascismo e às suas versões moderadas à esquerda e à direita, era que a maioria das decisões sociais deveria ser tomada no plano individual, familiar, religioso e que tais. O princípio era o da minha avó, nascida na década de 1890, a última era dos cavalos: "Faça o que quiser, mas não assuste os cavalos". Seja adulto e responsável em relação aos grandes propósitos, mas, de resto, resolva você mesmo em questões de amor, ética, caridade, negócios e assuntos locais. Temos ouvido muito da direita política sobre as terríveis ameaças à "civilização ocidental". Começou na década de 1980. Uma das raízes disso é um livro de 1986, de Samuel Huntington, que teoriza sobre a islamofobia ("O Choque de Civilizações e a Mudança da Ordem Mundial"). Eu conheci superficialmente Allan Bloom, que, em "The Closing of the American Mind" [O declínio da mente americana] (1987), levantou o temor de que o distanciamento das normas culturais conservadoras fosse o "fim".Alegações de que o "fim" está próximo estão proliferando na direita. Laura K. Field publicou no ano passado uma análise lúcida de todo o grupo, intitulada "Furious Minds: The Making of the MAGA New Right" [Mentes furiosas: a formação da nova direita Maga]. Seus medos justificam um novo ativismo estatal, como na administração Trump. Os novos estatistas conservadores dizem que precisamos de uma polícia secreta para prender pessoas com aparência de mexicanas nas ruas e de leis para impedir que meninos que se tornaram meninas pratiquem esportes no ensino médio. É parecido com o comunismo perseguindo empresários ou o nazismo perseguindo judeus, ambos justificados por medos infantis que se tornaram mortalmente sérios por coerções estatais. Acabei de ouvir falar de um personagem chamado Gad Saad, que, no livro "The Parasitic Mind" [A mente parasita], mostra por que —como um querido, mas equivocado, amigo meu diz— "a empatia na política leva ao colapso da civilização". Em um novo livro, "Suicidal Empathy" [Empatia suicida], Saad ataca o "altruísmo irracional e mal adaptado que tomou conta de nossa cultura" como um "parasita mental... que leva a uma descalibragem catastrófica das prioridades morais". O problema dos dois lados é trazer o Estado para questões que teriam melhor resolução pelo bom senso e por decisões locais. Por exemplo, por um cristianismo responsável. Por exemplo, a família e os amigos. Por exemplo, a vizinhança. Vamos parar de gritar e começar a ouvir e parar de nos preocupar sobre o "fim" estar próximo. Não está. Colunas Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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