Ninguém sai ileso da adolescência. A fase dos 12 aos 18 anos mexe com o físico, o emocional, e ainda desafia a sanidade até dos seres mais equilibrados. Mas trilhar esse caminho enquanto se tem que lidar com um namorado instável, um melhor amigo que parece ter esquecido de você e o iminente divórcio dos seus pais torna a jornada mais difícil. É nesse contexto que se encontra Carol, que aos 13 anos, já enfrenta situações de bullying na escola, amores não correspondidos e a rotineira guerra com o espelho, que parece insistir em destacar todas as suas inseguranças. A garota, que tem um diário como fiel escudeiro, usa as páginas para escrever sobre a crise que vive em seu primeiro namoro. A relação, que começou como um conto de fadas, agora parece mais uma história de suspense, daquelas em que a protagonista nunca sabe quando pode acabar em briga. Ela também escreve sobre a falta que sente do seu melhor amigo –que ao contrário dela, está vivendo às mil maravilhas dentro do próprio relacionamento. Em "Diário de uma Garota Esquisita: Entre Likes e Surtos Digitais", novo livro da jornalista e escritora Thalita Rebouças, a trama acompanha uma menina ainda aprendendo a amar a si mesma e a ser fiel ao que gosta enquanto tenta se encaixar e fazer amigos no colégio. A narrativa, que mistura prosa e poesia, também é interativa, e conta com espaços em branco para serem preenchidos pelo leitor. Para Thalita, que já escreveu mais de 20 títulos, em sua maioria obras voltadas para o público adolescente, como "Fala Sério, Mãe!" e "Tudo por um Popstar", entrar na pele de um jovem passando pela puberdade é abraçar seu lado dramático sem menosprezar as questões que existem por trás dele. "Acho que vim com esse dom de falar com o adolescente sem parecer que estou dando lição de moral. Jamais vou minimizar as dores deles, porque eu lembro como era [ser adolescente] e fico muito chocada quando outros adultos não lembram. O drama do adolescente está no DNA, mas fazer com que pareça mimimi ou exagero é um grande erro. É só a gente se colocar no lugar deles, ter empatia, porque eles estão passando por mil mudanças internas e externas", afirma a escritora. O enredo também fala sobre a importância de perceber os sinais de que um relacionamento está deixando de ser saudável. Entre brigas e comportamentos que fazem com que a personagem questione constantemente a própria relação, o livro mostra como certas situações podem ser normalizadas quando estamos emocionalmente envolvidos. É uma discussão que, para Thalita, passa justamente pela necessidade de levar a sério aquilo que os adolescentes sentem e vivem, sem tratar comportamentos problemáticos como parte inevitável de um namoro. "É muito importante preparar as meninas para isso. Normalizar o grito é uma coisa que para mim não dá para fazer, porque na próxima vez, pode ser pior do que um grito. Eu quero que essas meninas estejam com isso na cabeça para, caso um dia aconteça com elas, que elas se abram, que se acenda um sinal de que isso não está certo", diz. "Diário de uma Garota Esquisita" teve seus direitos vendidos para se tornar uma animação em Hollywood e deve ter seu primeiro volume publicado nos Estados Unidos em 2027.
'O drama do adolescente est� no DNA', diz Thalita Rebou�as sobre novo livro
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