Se o jogo de futebol se resumisse à pressão e à posse de bola, a Espanha teria massacrado a Argentina. Acontece que uma partida precisa de alguém para decidir. No caso, seria Messi. E o melhor jogador do planeta no século 21 não conseguia receber a bola. Para quem acredita em marcação individual, importante observar que Luis de la Fuente não o perseguiu com um zagueiro específico em nenhum minuto do jogo. Ora Laporte, um monstro! Ora Cubarsí, revelação! Ora Rodri, fenomenal atuação. Por que Messi é o alter ego da Espanha? Porque foi criado em território espanhol e, enquanto aprendia-se em Madri e Barcelona que é preciso circular a bola, Messi os ensinava a finalizar e decidir. Não é à toa que Messi se tornou o maior goleador de La Liga, enquanto a Espanha se tornava o pior ataque campeão mundial, em 2010. A Espanha toca, toca, toca, toca... Messi decide. Das últimas seis Copas do Mundo, todas aquelas em que o Brasil fracassou, cinco tiveram prorrogação. Mais uma. A Itália e a Argentina foram campeãs nos pênaltis, A Espanha e a Alemanha na prorrogação, só a França de 2018 no tempo normal. Era o que estava estabelecido aos 45 do segundo tempo, antes da expulsão de Enzo Fernández, pelo segundo amarelo. Enzo jogou no limite também contra a Inglaterra até fazer a entrada em Cubarsí e receber o segundo amarelo, consequentemente, o vermelho. O grande problema da Espanha também é tático. Domina, controla, empurra, afugenta, faz um incrível massacre psicológico. Mas não decide o jogo. E então, corre o risco de perder. A superioridade sobre a Holanda na final de 2010 só se firmou como vitória na prorrogação, gol de Iniesta. É o caso de voltar a dizer que Messi é o alter ego espanhol. Sua outra personalidade.Porque o tiki taka, o controle, sua incrível capacidade de administrar e se impor é inversamente proporcional à sua possibilidade de definir. Narradores do passado chamariam de domínio estéril. Pura verdade. Seria mentira afirmar que os argentinos se criaram pela força da torcida. Embora tenha havido momentos de supremacia dos cantos argentinos, não foi um massacrel de paixão. O duelo cérebro x coração não se tornou exatamente assim. Não houve uma forma de jogar se impondo sobre uma forma de viver, nem o inverso. Aconteceu uma inegável imposição da estética espanhola sobre a alma argentina, mas sem o ponto fundamental que os argentinos têm e os espanhóis não puderam ter: Messi. Ainda é o domínio do talento, do craque, do jogador capaz de impor o improvável ao científico. Controlado, Messi não pôde ser decisivo como nas outras partidas. Porque tirar o maior talento do adversário não é suficiente para colocá-lo ao seu lado, capaz de decidir jogos e Copas.Messi não jogou e a Espanha não foi capaz, nem assim, de se mostrar melhor do que ele, quer dizer, do que a Argentina. Os argentinos não conseguiram se impor em forma de jogo aos espanhóis, supremacistas neste critério neste século. Mas incapazes de ter alguém suficiente para fazer o que Messi fez pelo maior jogador do melhor time deste século, o Barcelona, de 2011, de Guardiola. Não, de Messi. Nem Pep sobreviveria como gênio se não fosse por Lionel Messi. Precisou haver um gol de Ferran Torres na prorrogação para impor a razão ao coração. Copa 2026 A newsletter da Folha com o que você precisa saber sobre o Mundial LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
O c�rebro contra a raz�o
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