O capitalismo � crist�o

O capitalismo � crist�o

De modo estranho, o cristianismo tem sido incomumente avesso ao comércio. O que há de estranho nisso é que o cristianismo, ou pelo menos as versões protestantes da Holanda, Inglaterra, Escócia e dos colonos americanos, iniciaram o Grande Enriquecimento após 1776, o triunfo da inovação comercial. E então os católicos e os ortodoxos os seguiram, honrando o comércio. Mas o próprio Jesus, e são Paulo, são Lucas e os primeiros "pais da igreja", como João Crisóstomo (o "boca de ouro"), falaram eloquentemente contra o comércio, o dinheiro e o acúmulo de riquezas. A oração "Pai-Nosso" dos cristãos pede a Deus apenas o "pão nosso de cada dia". Em contraste, a oração diária a Durga, deusa-mãe do hinduísmo, diz: "Dê-me riqueza, longa vida, filhos e todas as coisas desejáveis". O islamismo foi fundado por um comerciante. Outros frutos do berço religioso do Oriente Médio, como o judaísmo e o zoroastrismo, são notavelmente favoráveis ao sucesso mundano honesto. Santo Antão, o Grande (251-356), conseguiu pelo menos a longa vida da oração a Durga. Quanto ao restante, porém, foi pioneiro no monasticismo cristão, vivendo sozinho em uma cabana no deserto do Egito, onde tecia cestos. A eloquência anticapitalista continua até os dias de hoje. Tanto à esquerda quanto à direita, os cristãos reprovam a "ganância", o "consumismo" e a "escravidão assalariada". Tais expressões não têm sentido —por exemplo, a precaução é frequentemente condenada como "ganância". Você gostaria de ter uma pessoa incauta em sua equipe? Não. A precaução é uma virtude, como o amor ou a coragem. "Ganância" é corretamente definida como precaução descontrolada, deixando de lado as outras virtudes. Uma prudência adequada e equilibrada é a principal virtude —e não a única— do capitalismo. Não fico atrás de ninguém em meu entusiasmo pelo amor, como o amor por Deus e de Deus —ou meu amor humano por Joanne, Daniel e Margaret. Mas o "amor" moderado pela vida civilizada no comércio não é pecado. Você compra a Folha a caminho de casa.A vendedora também age de forma voluntária. Ela lhe entrega o jornal em troca do produto do seu trabalho. A troca de trabalho por trabalho torna o capitalismo o mais altruísta dos sistemas econômicos. Com uma família, um pequeno grupo de amigos ou mesmo um mosteiro, as pessoas trocam coisas sem dinheiro. O dinheiro corromperia, por exemplo, o gesto gentil de dar conselho a um amigo que o procurasse em dificuldade. Mas entre desconhecidos o sistema de troca permite que você consiga o jornal sem ser amigo dos funcionários da Folha. O mercado substitui o amor direto. Em uma vida inteira, mesmo nos 105 anos de santo Antão, talvez façamos algumas centenas de amigos; poucos íntimos. Mas o lindo sistema capitalista significa que podemos fazer negócios indiretos com centenas de milhares de pessoas. O que é pecaminoso, e não cristão (ou judeu, muçulmano ou hindu), é roubar um exemplar da Folha. Muitas economias socialistas estão em saldo negativo —todas em pior situação que sob o capitalismo. Por quê? Porque tirar de Pedro para pagar a Paulo é roubo. Quem faz isso? O estado. Colunas Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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