O Brasil n�o cabe no quintal de ningu�m?

O Brasil n�o cabe no quintal de ningu�m?

No seu discurso na ONU, o presidente Lula soltou a frase: "O Brasil não cabe no quintal de ninguém!" e foi interrompido por aplausos. Fiquei honrado com o fato de ele ter recorrido ao título de um livro meu, de 2019. A frase parece estar se tornando um slogan da campanha eleitoral. Mas é muito mais do que um slogan. Alude, primeiramente, às dimensões do nosso país: o quinto maior território, a sétima maior população e a oitava economia do mundo. O Brasil faz parte de um grupo de apenas cinco países, juntamente com China, Índia, Rússia e Estados Unidos, que integram a lista das dez maiores nações em termos territoriais, demográficos e econômicos. Temos, também, imensas reservas de terras raras e minerais críticos, urânio, petróleo, minério de ferro e outros minerais. Temos a maior biodiversidade do planeta. Temos, além disso, uma belíssima tradição cultural nacional, que suscita a admiração de outros países. E, como se não bastasse, temos os brasileiros, um povo admirável em muitos sentidos, entre os quais humanidade, simpatia, cordialidade, criatividade e capacidade de trabalho. No entanto, o leitor ou leitora há de ter reparado que eu coloquei um ponto de interrogação no título deste artigo. Por quê? É que a soberania e a integridade nacionais estão ameaçadas como nunca. Primeiro, porque concorre à Presidência um Flávio Bolsonaro. E com chance de vencer, a julgar pelas pesquisas. Trata-se de um político que, entre muitos defeitos graves, se apresenta, sem nenhuma vergonha, como candidato a vassalo dos Estados Unidos de Donald Trump! Basta lembrar que ele ofereceu generosamente criar, em caso de vitória eleitoral, "uma equipe de transição à disposição do governo americano"! Há um agravante –a fase em que se encontram os EUA, que seguem um imperialismo agressivo e intervencionista, que tem sido referido por alguns analistas, entre eles Vijay Prashad, como hiperimperialismo. Basta lembrar o que aconteceu na Venezuela, transformada em protetorado dos EUA. O governo Trump não esconde, antes proclama, as suas intenções. Afirmou em documentos oficiais e diversos pronunciamentos do presidente e seus ministros que o hemisfério Ocidental, da Groenlândia à Patagônia, é sua área de influência exclusiva. Essa hegemonia sobre o hemisfério não estará completa sem a submissão do Brasil, o maior país da América Latina. A forma mais fácil de alcançar esse objetivo é eleger um Flávio Bolsonaro. O Brasil será conquistado sem a necessidade de disparar um tiro sequer! Caso Lula se eleja, o problema não estará resolvido. A verdade é que não estamos bem preparados para enfrentamentos militares. O problema é antigo. Suponho que Lula e sua equipe estejam totalmente conscientes da urgência de reforçar a Defesa nacional. Imagino que o esforço já tenha começado, ao menos em 2026, depois do que vimos na Venezuela, em Cuba e no Irã. Com base em nossos próprios recursos, reforçados por cooperação militar e tecnológica com países como França, Turquia, Irã, Rússia e China, e com um esforço concentrado do governo e do país, teremos condições de superar essa vulnerabilidade estratégica. E retirar o ponto de interrogação da frase. TENDÊNCIAS / DEBATES Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

Original Source

Read the full article at Www1 →

KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.