Novo acordo entre Prefeitura do Rio e Cacique Cobra Coral � o mais longo j� registrado

Novo acordo entre Prefeitura do Rio e Cacique Cobra Coral � o mais longo j� registrado

A Prefeitura do Rio de Janeiro firmou o mais longo acordo já registrado entre o Executivo municipal e a Fundação Cacique Cobra Coral. A fundação representa a entidade espírita a quem se atribui o poder de intervir em fenômenos climáticos para mitigar os efeitos nas cidades. A assistência do Cacique Cobra Coral à prefeitura vai durar 25 anos, segundo o acordo assinado em 6 de agosto, feito sem custos. A parceria, sob justificativa de "prestação de assistência técnica meteorológica", foi feita pela Geo-Rio (Fundação Instituto de Geotécnica do Município do Rio de Janeiro). No dia seguinte à assinatura, cariocas receberam às 5h um alerta da Defesa Civil com risco de vendaval. As rajadas poderiam chegar a 90 km/h. Para evitar o que havia ocorrido duas semanas antes, quando a ventania causou estragos e mortes na cidade, município e estado fecharam parques públicos, suspenderam aulas e recomendaram a antecipação do expediente. Na ventania anterior, a fundação estava com a parceria rompida com a prefeitura. Na segunda, os ventos chegaram a 84 km/h no sul fluminense, mas não passaram de 62 km/h na capital. A fundação divulga que o Cacique Cobra Coral teria sido, em outras existências terrenas, o astrônomo Galileu Galilei e o presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln. A médium Adelaide Scritori diz incorporar o mentor espiritual. A reportagem procurou Osmar Santos, porta-voz da fundação. Ele afirmou que o cacique suspendeu entrevistas. A fundação, localizada em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, não é aberta ao público e não dá consultas. A prefeitura também não comentou. O serviço prestado pelo Cobra Coral é direcionado a empresas e ao poder público, nunca com cobrança em dinheiro. A contrapartida, diz a fundação, é investimento em obras de mitigação de efeitos climáticos. A primeira manifestação do Cacique Cobra Coral teria ocorrido quando Adelaide era ainda criança e estava em um centro espírita frequentado pela família. O pai, Ângelo Scritori, foi quem criou a fundação. A atuação pública começou no início dos anos 1980, quando o trabalho era feito em uma garagem, com mapas do país dispostos sobre a mesa. Naquela época, o serviço da Cacique Cobra Coral era oferecido aos estados por telegrafia. Bastava aos órgãos enviar mapas hidrográficos para que o serviço —redirecionar nuvens de chuva— fosse realizado. Em 1988, a fundação já mantinha contatos com os governos de Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul. Nos anos 1990, a fundação começou a atribuir a si a previsão de atentados e tragédias de comoção nacional, como a morte de Ayrton Senna, em 1994, mas recuou na prática. Hoje a fundação diz atender a questões climáticas de países de três continentes, incluindo China, Austrália e Estados Unidos. No último, diz ter ajudado a dissipar estragos do furacão Irene, em 2011. No Rio, a fundação tem convênios oficiais com a prefeitura desde o primeiro mandato do prefeito Cesar Maia (1993-1996). Até o acordo mais recente, o de 25 anos, as parcerias firmadas entre fundação e Prefeitura do Rio tinham validade de, no máximo, quatro anos, com prorrogações pontuais por mais um ano. A parceria já acompanhou visitas de chefes de Estado, edições do Rock in Rio, Pan-Americano, Olimpíada e Copa do Mundo, além de Carnavais, Réveillons e shows na praia de Copacabana.

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