Nova York reelege Kathy Hochul governadora e segue basti�o democrata nos EUA

Nova York reelege Kathy Hochul governadora e segue basti�o democrata nos EUA

Kathy Hochul, 68, a primeira mulher eleita governadora de Nova York, foi reeleita para mais um mandato de quatro anos nas midterms desta terça-feira (3). O estado da Costa Leste americana, assim, segue como um bastião democrata há quase 20 anos. Advogada, Hochul assumiu como governadora em 2021, logo após Andrew Cuomo, de quem era vice, renunciar ao cargo em meio a uma extensa lista de acusações de assédio sexual. Ela foi então eleita no ano seguinte com 53% dos votos. Para a corrida deste ano, sua vitória não foi uma surpresa: Hochul aparecia à frente, com folga, em todas as pesquisas de intenção de voto confiáveis. Uma democrata moderada, ela disputou contra o republicano Bruce Blakeman, 71, o chefe da administração do condado de Nassau (tipo de região administrativa que aglomera vários municípios). A última vez que um republicano foi eleito para o cargo no estado foi em 2002. E Hochul contou com apoio de nomes "pop" entre os democratas: o do prefeito da cidade de Nova York, Zohran Mamdani, e o da deputada Alexandria Ocasio-Cortez; os dois são democratas socialistas, de corrente mais radical que a de Hochul, e com muitas divergências com a governadora. Mas, na hora de ir às urnas, esses desafetos recuaram. Ainda que Nova York venha sendo historicamente caracterizada como uma "onda azul" (a cor dos democratas), o mapa das votações mostra uma visão bem mais cautelosa. O partido vence na cidade porque conquista a maioria dos votos nos condados com maior densidade populacional, como o de Manhattan, a região mais conhecida mundialmente do estado. A região tem 1,6 milhão de pessoas; o estado de Nova York inteiro tem 20 milhões. Mas nos condados mais interioranos, a vitória é sempre republicana. Nas eleições presidenciais de 2024, o estado votou majoritariamente (56,4%) pela democrata Kamala Harris, que tentava impedir o retorno de Donald Trump à Casa Branca e conseguiu 1 milhão de votos a mais do que o republicano em Nova York. Assim como em boa parte dos Estados Unidos, o tema de maior preocupação dos eleitores na hora de votar foi o custo de vida, ou a chamada "affordability", que busca medir a capacidade de uma família de arcar com bens e serviços básicos a partir daquilo que ganha. Detratores têm dito que Hochul pouco se preocupa com as contas públicas, dado que o orçamento estadual aumentou 40% durante o seu governo, chegando a US$ 269 bilhões em 2026. Entre outras medidas de pouco apelo aos republicanos, ela apoiou o prefeito Mamdani quando ele estabeleceu o chamado imposto pied-à-terre, uma sobretaxa anual sobre imóveis de alto padrão (acima de US$ 5 milhões) que servem como segunda residência para americanos ou estrangeiros e ficam vazios a maioria do ano. Ela também enfrenta outros desafios que batem à porta. Um, de saúde pública. Neste ano, o estado declarou emergência de saúde pública devido a um surto de sarampo, uma doença que estava praticamente erradicada no país todo, dado que há vacina para ela, mas que retornou em meio a uma onda contra os imunizantes apoiada, entre outros, por membros da administração do presidente Donald Trump. Até aqui, há pelo menos 178 casos da doença confirmados neste ano, e na véspera das midterms, na segunda-feira (2), a primeira morte pela doença em 30 anos foi confirmada, a de uma criança. A imigração também é um tema na agenda da governadora reeleita. Hochul prometeu publicamente que atuaria para proteger a população do estado contra as ações do ICE, a polícia de imigração que tem capitaneado detenções e deportações em massa. A verdade é que isso pode ser válido para algumas cidades da região que administra, mas não para todas. Em setembro, o governo Trump anunciou números recordes de detenção de imigrantes no estado de Nova York.

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