Nova porta-voz de Trump diz ter atuado como advogada mesmo sem ter licen�a

Nova porta-voz de Trump diz ter atuado como advogada mesmo sem ter licen�a

A nova secretária de imprensa da Casa Branca, Katie Zacharia, foi questionada na quarta-feira (15) sobre sua carreira jurídica antes de se tornar a principal porta-voz do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Zacharia, que ingressou na Casa Branca na segunda-feira (12), afirmou ter exercido a advocacia antes de entrar para a política, e Trump a descreveu como advogada. No entanto, a Reuters não encontrou registros que comprovem que Zacharia estivesse inscrita como advogada ou fosse membro da ordem dos advogados em qualquer estado dos Estados Unidos ou no distrito de Colúmbia. As dúvidas sobre as credenciais de Zacharia surgem no momento em que ela assume o púlpito a apenas três semanas das eleições de meio de mandato de novembro, um período crucial em que o presidente tenta divulgar as realizações de seu governo e ajudar seus correligionários republicanos a manter o controle do Congresso. Segundo seu perfil no LinkedIn, ela foi advogada associada no escritório Zhong Lun Law Firm, em Pequim, de 2011 a 2013, e consultora jurídica geral da Fix California, grupo de advocacy fundado por Ric Grenell, aliado de Trump, de 2024 a 2025. Em mensagem enviada à Reuters, Grenell disse que Zacharia era "uma assessora sênior, que desempenhava muitas funções diferentes", entre elas "coordenar os advogados externos, que eram nossos representantes jurídicos". O Zhong Lun não respondeu aos pedidos de comentário enviados por email. A Casa Branca não respondeu às perguntas sobre a formação ou as credenciais jurídicas de Zacharia. Em nota enviada por email, Zacharia declarou ter exercido a" advocacia na área de transações internacionais, com todas as credenciais exigidas". Ela é formada em direito pela Universidade Pepperdine desde 2011. Nos EUA, o diploma não basta: é preciso ser aprovado no exame da ordem de um estado para advogar. Questionada por um jornalista na terça (13) sobre onde havia passado no exame, ela respondeu: "Quando me mudei para a China". Lá, a lei só permite que cidadãos chineses exerçam a advocacia; estrangeiros podem apenas prestar consultoria jurídica. Em ligação ao The New York Times, Zacharia atribuiu a confusão a um mal-entendido. Disse ter presumido que a pergunta fosse onde estava depois da faculdade de Direito e que não conseguiu ouvir direito por causa do barulho do Marine One e da distância que mantinha atrás do presidente. Ressaltou ainda que era seu segundo dia no cargo. Para alguns especialistas, ter se formado em Direito tecnicamente a torna "lawyer", embora muitos especialistas discordem. Para ser "attorney", habilitada a advogar e dar consultoria jurídica, seria preciso ter passado no exame da ordem. O Wall Street Journal informou na quarta que ela fez a prova da Califórnia depois de se formar e não foi aprovada. Zacharia também já atuou como comentarista dos canais conservadores Newsmax e Fox News. Na ligação com o NYT, Zacharia disse que, ao começar a aparecer em canais de notícias, consultou o presidente da Pepperdine, que a orientou a não usar "attorney" nem "esquire", mas disse que "lawyer" não seria problema. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Para Renee Knake Jefferson, professora de Direito da Universidade de Houston e especialista em ética jurídica, o caso é uma "questão fundamental de confiança pública", e o público tem direito a informações corretas sobre as funções que uma autoridade diz exercer. Ela ressalta que não é preciso ser advogado para ocupar o cargo de porta-voz da Casa Branca. Trump contratou Zacharia após manifestar preocupação com a cobertura da imprensa sobre seu governo, por considerar que precisava de uma nova porta-voz capaz de dar maior visibilidade às suas realizações, segundo duas pessoas a par das conversas. Ela substituiu Karoline Leavitt, que deixou a Casa Branca em agosto. O fato de Zacharia ter sido contratada tão perto das eleições de meio de mandato surpreendeu alguns funcionários da Casa Branca, afirmou uma autoridade. Na primeira conversa com a imprensa, na terça, Zacharia respondeu a perguntas de três jornalistas e encerrou o evento em menos de 15 minutos. O desempenho foi criticado por alguns comentaristas da imprensa e analistas políticos, embora Trump tenha dito aos jornalistas: "Achei que ela foi muito bem".

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