São Paulo O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal cumprem nesta quinta-feira (24) mandados de busca e apreensão em sete estados na terceira fase da Operação Carbono Oculto, investigação sobre suposta lavagem de dinheiro ligada ao setor de combustíveis. Entre os alvos estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo do Banco Genial, os irmãos dele, André e Bruno Tupinambá, e o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, dono da Entre Investimentos e com ligações com Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. O Grupo Entre está entre as empresas envolvidas no financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A Folha procurou a Entre Investimentos e o Banco Genial via ligação telefônica entre as 7h e 8h desta quinta, mas não obteve retorno até a conclusão desta reportagem. Agentes da Receita Federal em fase inicial da Operação Carbono Oculto em São Paulo - Divulgação/Receita Federal As buscas são realizadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Itajaí (SC), Cotia (SP), Barueri (SP), Itapevi (SP), Jandira (SP), Duque de Caxias (RJ), Paulínia (SP), São José dos Campos (SP), Vila Velha (ES), Guarulhos (SP), Várzea Grande (MT), Betim (MG) e Senador Canedo (GO). O Gaeco e a Receita realizam a ação com participação da Secretaria estadual da Fazenda de São Paulo, Procuradoria-Geral do Estado, Polícia Militar e Polícia Civil, além das corporações dos outros estados. São 29 endereços de mandados de busca e apreensão ligados a 24 empresas e 13 pessoas físicas. Segundo o MP-SP (Ministério Público de São Paulo), o objetivo da diligência é investigar a utilização de estruturas de lavagem de dinheiro para a aquisição de distribuidora de combustíveis do país. A Promotoria afirma que houve uma sobreposição de estruturas comerciais para ocultar o controle de proprietários da Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., a Terrana, sucroalcooleira que distribui combustíveis do país. Segundo o órgão, os operadores financeitros ligados a fintechs teriam usado investimentos de fachada e operações financeiras atípicas para ocultar o patrimônio dos proprietários. Os investigadores apontam que as estruturas que marcararam o controle da Terrana desempenhavam funções de circulação, fragmentação e ocultação dos recursos dos proprietários. Teriam sido movimentados R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025 no esquema. Para o Ministério Público paulista, este volume e o formato das operações evidencia indícios dos crimes de ocultação patrimonial, dissimulação da origem de recursos e lavagem de dinheiro. Um dos achados envolve cerca de R$ 370 milhões em direitos creditórios da Terrana na Justiça. A Folha mostrou que Vorcaro conseguiu trilhar caminhos no Judiciário brasilerio a partir de compra de ações de direitos creditórios, como em caso de precatórios. Conforme o MP-SP, os direitos foram adquiridos por uma das financeiras a partir de um Fidc (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) controlado pelo mesmo grupo proprietário da Terrana. A usina também teria sido usado, conforme a Promotoria, para a aquisição de uma distribuidora de combustíveis. Uma quantia de R$ 100 milhões passou por contas de empresas e fintechs antes de chegar à Terrana. Estas operações teriam dado aparência de legitimidade às transações envolvendo a sucroalcooleira e dificultado, ainda conforme a investigação, a identificação dos reais beneficiários dos recursos.
Nova fase da Carbono Oculto mira s�cio do Banco Genial e executivo ligado ao Master
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