Nobel premia ci�ncia microsc�pica

Nobel premia ci�ncia microsc�pica

Embora não haja conexão direta entre as escolhas das três modalidades do prêmio Nobel para ciências naturais, podem-se buscar pistas do que une e separa os laureados. Neste ano, foram contempladas pesquisas no campo micro em medicina, física e química. A definição do prêmio em medicina ou fisiologia cabe ao Instituto Karolinska, de Estocolmo. Já os de física e o de química competem à Academia Real Sueca de Ciências, também localizada na capital do país de Alfred Nobel, que instituiu o galardão conferido pela primeira vez em 1901. A láurea em medicina tende a contemplar processos mais complexos a afetar a fisiologia humana, como a regulação imunológica no câncer (2018) ou o peso de genomas ancestrais na evolução do Homo sapiens (2022). Desta feita, entretanto, escolheu-se a descoberta de íons fotossensíveis que galvanizaram a neurociência. Essas diminutas estruturas celulares, estudadas na origem em algas unicelulares Chlamydomonas, possibilitaram desenvolver técnicas de optogenética, como interruptores moleculares para ligar e desligar neurônios de modo a estudar o papel individual de células nervosas no processamento realizado pelo cérebro. Em física e química, é mais natural que se agraciem investigações sobre objetos diminutos, como partículas, átomos e moléculas. Neste ano, foram premiados respectivamente a detecção de neutrinos e o controle sobre a produção de moléculas quirais (espelhadas) em síntese química. Neutrinos são partículas elusivas, pois não têm carga e pouco interagem com outras. A fim de registrar sua passagem através do planeta, montou-se um aparato detector na Antártida que lança mão da espessura descomunal da calota de gelo para retraçar as trajetórias. Pesquisa básica, para iluminar o âmago da matéria. A premiação em química difere da de física pela aplicação: controlar variantes quirais de moléculas e separar as mais eficientes no encaixe em receptores celulares humanos pode contribuir para o desenvolvimento de remédios com maior funcionalidade. Pesquisa aplicada, para instrumentalizar o âmago da matéria. Os seis vencedores de 2026 são homens, pela 101ª vez em 125 anos. Ao longo da história, só 4% das láureas nessas áreas foram concedidas a mulheres —disparidade que reflete barreiras históricas ao acesso feminino à universidade e às carreiras científicas. O dado reforça a importância de estimular desde cedo o interesse de meninas pelas ciências e de garantir oportunidades iguais para desenvolver seus talentos. editoriais@grupofolha.com.br

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